Nações Unidas

Obama se despede da ONU com pedido de apoio à diplomacia na Síria

20/09/2016 - 20h42min

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, despediu-se da Assembleia Geral da ONU nesta terça-feira (20) com um dramático apelo para que se apoie os esforços da diplomacia para conter a violência na Síria.

Obama deixará a Casa Branca em janeiro de 2017.

"Em um lugar como a Síria, não se pode alcançar uma vitória militar, e temos de continuar com a difícil tarefa da diplomacia, que se propõe a interromper a violência e fazer a ajuda chegar aos que necessitam dela", afirmou.

O discurso de Obama foi feito depois que chanceleres de 23 países realizaram uma reunião de urgência em um hotel de Nova York para tentar manter de pé o frágil cessar-fogo na Síria negociado por Estados Unidos e Rússia e que mal durou uma semana.

Ministros que participaram da reunião disseram à imprensa que o clima do encontro foi tenso. Na saída, o secretário de Estado americano, John Kerry, limitou-se a declarar aos jornalistas que "o cessar-fogo não está morto".

Presentes em Nova York para participar da Assembleia Geral da ONU, as partes envolvidas esperam retomar as discussões esta semana.

Atenção aos refugiados

Em seu pronunciamento, Obama não poupou críticas a Moscou, seu principal associado na busca de uma saída para a tragédia síria.

De acordo com o presidente americano, a Rússia tenta recuperar "sua glória passada pela força", o que pressiona as relações internacionais.

"Se a Rússia continuar interferindo nos assuntos internos de seus vizinhos, isso pode ser popular em seu país. Pode impulsionar o fervor nacionalista por algum tempo, mas, com o passar do tempo, também vai diminuir sua estatura e tornar suas fronteiras menos seguras", afirmou Obama.

O presidente dos Estados Unidos também pediu à comunidade internacional que fortaleça suas ações em favor dos milhões de refugiados.

"Juntos temos de abrir nossos corações e ter mais para ajudar refugiados que estão desesperados por um teto", insistiu Obama.

A comunidade internacional - acrescentou - deve receber de braços abertos as declarações de intenção em ajudar. "Mas temos de ir a fundo, mesmo quando as políticas são difíceis. (...) Devemos imaginar como seria com nossa família, com nossos filhos", completou.

Posteriormente, Obama anunciou o compromisso de cerca de 50 países para acolher 360 mil refugiados, o que representa o dobro em relação ao ano passado.

"Juntos, nossos países duplicarão o número de refugiados que nós receberemos (...) fazendo chegar a 360 mil este ano", declarou, saudando em especial os esforços de Alemanha e Canadá.

"Enfrentamos uma crise de proporções épicas. Não podemos desviar os olhos ou dar as costas. Fechar a porta na cara destas famílias seria trair nossos valores mais profundos".

Obama pediu ainda que se ponha o acordo de Paris sobre o clima em prática o quanto antes.

"Se não agirmos energicamente, teremos imigrações em massa e cidades submersas e nações deslocadas e reservas de alimentos dizimadas".

Sentimento de insatisfação

Obama lançou um alerta diante do que chamou de "populismo grosseiro, às vezes de esquerda, mas muito mais comumente da direita", tanto nos Estados Unidos quanto no mundo.

"Enquanto esses problemas foram minimizados, as visões alternativas do mundo abriram caminho", declarou, em mensagem na Assembleia Geral da ONU.

Em uma parte de seu discurso aparentemente dirigida ao candidato republicano à Presidência dos EUA, Donald Trump, Obama disse que esse "populismo" muitas vezes "reflete a insatisfação entre muitos dos nossos cidadãos", mas apontou que a saída não é a ruptura com a integração global.

Para Obama, "um país cercado por um muro estará cercando apenas a si mesmo" - em uma clara referência à proposta de Trump de construir um muro na fronteira com o México, para impedir a entrada de imigrantes e de proibir o ingresso de refugiados muçulmanos.

Na opinião do presidente americano, "um mundo no qual 1% da humanidade controla tanta riqueza quanto os demais 99% nunca será estável".

Obama disse compreender que "o abismo entre ricos e pobres não é novo", mas reconheceu que existe "um sentimento geral de injustiça".

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