Nações Unidas

ONU: Colômbia celebra paz, Brasil corteja investidores e tensão pela Síria aumenta

21/09/2016 - 22h30min

A Colômbia apresentou na Assembleia Geral da ONU, nesta quarta-feira (21), um ovacionado acordo de paz que contrastou com as crescentes tensões diplomáticas entre Rússia e Estados Unidos pelo conflito sírio.

Também nesta quarta-feira, o Brasil dedicou o dia para cortejar os investidores americanos, para os quais garantiu a estabilidade política e econômica de um país que ainda se agita após uma grave crise institucional.

No início do dia, o presidente colombiano, Juan Manuel Santos, entregou ao Conselho de Segurança da ONU uma pasta, envolvida com a bandeira colombiana, contendo os termos do acordo de paz com a guerrilha marxista das Farc.

Pouco depois, Santos disse no plenário da Assembleia que o mundo tem "uma guerra a menos" e que o continente americano se converteu "em uma zona de paz".

"Estamos virando a página da guerra para começar a escrever o capítulo da paz", disse o presidente em um emocionado discurso elogiado pelo presidente americano, Barack Obama.

"Não posso estar mais de acordo com esses esforços", declarou Obama.

"Há muitos desafios em sua implementação, mas penso que é uma conquista de proporções históricas", completou.

Tragédia na Síria

Mas eram muito mais sombrias as negociações diplomáticas sobre o conflito sírio, que em cinco anos já deixou 300.000 mortos e gerou um êxodo de 4,8 milhões de pessoas.

A reunião desta quarta-feira no Conselho de Segurança esteve marcada pela tensão entre Estados Unidos e Rússia, em especial porque Washington responsabiliza Moscou pelo ataque a um comboio de ajuda humanitária, já que seus aviões operavam na região.

A diplomacia russa condenou essas acusações "sem fundamento e precipitadas" e declarou que, no local, havia um drone americano. A informação foi imediatamente negada pelo Pentágono.

A cidade de Aleppo voltou a ser atingida por intensos bombardeios nesta quarta após o colapso, na segunda-feira (19), da frágil trégua negociada por Washington e Moscou há uma semana.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, expôs de forma brutal a gravidade da situação.

"A tragédia na Síria envergonha todos", disse Ban, que se referiu a um "fracasso coletivo da comunidade internacional" em contribuir para uma saída para a catástrofe.

Em um discurso tenso, o secretário de Estado americano, John Kerry, declarou hoje que, ao escutar a análise de seu homólogo russo, Serguei Lavrov, tinha a impressão de que ele estava em um "universo paralelo".

Já o chanceler Lavrov sugeriu, serenamente, que chegou o momento de "evitar reações emocionais".

Negócios para Temer

Enquanto isso, em um hotel em Manhattan, o presidente Michel Temer tentava convencer os investidores internacionais de que colocará o Brasil no caminho do crescimento, depois que o país encerrou 2015 com uma recessão de 3,8%.

"Nós os convidamos a participar dessa nova fase" e investir em um mercado de 200 milhões de habitantes, disse Temer, em um almoço com executivos, enquanto cerca de 100 brasileiros protestavam do lado de fora.

"Viemos denunciá-lo enquanto ele está vendendo o país. Foi um golpe de estado", disse à AFP uma das manifestantes, a cozinheira Gabriele de Souza, de 42 anos.

"Não há dúvida de que haveria oposição", minimizou Temer, em declarações à imprensa.

Mas - acrescentou - "basta ler a Constituição brasileira para verificar que é um governo legítimo".

O presidente do think tank Inter-American Dialogue, o analista Michael Shifter, disse à AFP que "a resposta dos investidores dependerá da capacidade de Temer de navegar na atual crise política, de recuperar o impulso da economia, dominar a inflação e reduzir o déficit fiscal".

Clima: é preciso avançar mais

Em uma reunião paralela, 31 países ratificaram o histórico acordo de Paris sobre a mudança climática, o que aumenta para 60 o número de nações que se somam ao tratado.

Esse grupo representa, porém, menos de 48% das emissões totais, segundo os dados da ONU.

Para que o acordo entre em vigor, deve ser ratificado por pelo menos 55 países responsáveis por 55% das emissões globais de gases causadores do efeito estufa.

Ainda assim, Ban Ki-moon se mostrou confiante de que o mínimo necessário será alcançado.

"Me alegra declarar que cruzamos oficialmente um dos limiares requeridos para implementar o acordo do clima de Paris", disse o secretário-geral.

O acordo pretende limitar o aumento da temperatura global a até 2ºC em relação ao nível pré-industrial.

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