Nova York

Suspeito de atentados em NY denunciado por uso de armas de destruição em massa

20/09/2016 - 23h09min

O suspeito dos atentados em Nova York e Nova Jersey, Ahmad Khan Rahami, foi denunciado nesta terça-feira pelo uso de arma de destruição em massa e outros três crimes, segundo um documento publicado pelo promotor do distrito sul do estado de Nova York, Preet Bharara.

A denúncia contra o jovem americano de origem afegã de 28 anos, apresentada no tribunal de Manhattan, também inclui ataque com explosivo em local público, destruição de propriedade e uso de dispositivo destrutivo para cometer crime violento.

Na segunda-feira, Rahami foi denunciado por tentativa de homicídio de policiais, após a troca de tiros com agentes na localidade de Elizabeth, em Nova Jersey, onde finalmente foi detido.

Uma das quatro bombas caseiras fabricadas por Rahami explodiu no bairro Chelsea, em Nova York, deixando 29 feridos leves.

A outra bomba explodiu na costa de Nova Jersey e não deixou vítimas, mas provocou a suspensão de uma corrida de caridade dos Marines.

Segundo a denúncia de Bharara, a investigação permitiu estabelecer que Rahami comprou, entre junho e agosto, elementos suscetíveis de integrar um dispositivo explosivo.

O documento, de 14 páginas, assinala que é possível observar em um vídeo recuperado do celular de um parente Rahami colocando material incendiário em um recipiente cilíndrico, dois dias antes do ataque.

Um texto escrito a mão por Rahami e encontrado após sua prisão, na segunda-feira, trás críticas ao governo dos Estados Unidos pelo "massacre" de combatentes muçulmanos no Afeganistão, Síria, Iraque e outras regiões.

Rahami também escreveu que estava preocupado com a possibilidade de ser detido antes de poder realizar o ataque suicida, assinala a denúncia.

O FBI (a Polícia Federal americana) informou nesta terça-feira que investigou Ahmad Khan Rahami em agosto de 2014, depois de seu pai tê-lo denunciado às autoridades, mas nenhum vínculo com terrorismo foi encontrado.

"O FBI conduziu revisões nas bases de dados internas, consultas interagências e múltiplas entrevistas, nenhuma das quais revelou vínculos com o terrorismo".

"A avaliação" de Rahami foi iniciada pelo FBI "com base nas palavras de seu pai depois de uma briga de família", completou a nota.

Em agosto de 2014, Rahami foi denunciado por agressão e passou três meses na prisão por ferir seu irmão Nasim Rahami com uma faca.

Dois anos antes, em fevereiro de 2012, foi denunciado por violência doméstica e recebeu uma ordem de restrição do tribunal de Elizabeth (Nova Jersey), onde residia.

O pai de Ahmad Khan Rahami disse à imprensa que procurou o FBI em 2014 para informar que seu filho era um terrorista.

Os agentes do FBI analisam agora as oito bombas sem detonar recuperadas em Manhattan e Nova Jersey, impressões digitais, DNA e um caderno de notas em poder de Rahami quando foi detido e trás anotações sobre a Al-Qaeda.

O caderno, que tem um buraco de bala, inclui referências ao militante da Al-Qaeda encarregado do recrutamento, Anwar al-Awlaki, nascido nos Estados Unidos e morto por um drone americano no Iêmen em 2011, e aos irmãos Tsarnaev, que realizaram o atentado contra a maratona de Boston, em 2013, segundo a CNN.

O FBI também "investiga amigos, família, arquivos e documentos" de Rahami, "incluindo redes sociais e telefones, para verificar se agiu só".

grf/lr

 
 
 
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