Ataques no Litoral

"A superlotação não torna o presídio vulnerável", diz secretário adjunto de Justiça e Cidadania de SC

Leandro Lima evita falar sobre as consequências que o tumulto causou

15/10/2016 - 07h12min | Atualizada em 15/10/2016 - 07h12min
"A superlotação não torna o presídio vulnerável", diz secretário adjunto de Justiça e Cidadania de SC Cristiano Estrela/Agencia RBS
Foto: Cristiano Estrela / Agencia RBS

Para o secretário-adjunto de Justiça e Cidadania do Estado, Leandro Soares Lima, os casos ocorridos no complexo da Canhanduba foram controlados. Nesta entrevista, ele garante que a superlotação não torna as unidades vulneráveis e evita falar sobre os impactos que o tumulto causou na última semana.

O complexo de Itajaí sempre foi um modelo prisional em SC. O que tem ocorrido nos últimos dois meses na unidade, com fuga de detentos, e na terça-feira, esse princípio de rebelião?
O fato prisional é extremamente dinâmico, não vão ser com ações simples que conseguiremos achar uma resposta para uma situação tão complexa. Estamos avaliando todas as possibilidades, tratando cada situação como um fato isolado. No final, se essas situações se revelarem relacionadas, aí a gente pode tratar sendo uma sucessão de fatos relacionados. Mas, por enquanto, estamos tratando como fatos isolados. Por mais que tenhamos atividade laboral, um bom atendimento de saúde e jurídico naquele complexo, alguns podem não estar contentes com isso e tentam empreender fuga. 

A superlotação torna a estrutura mais vulnerável?
Vulnerável, não. Torna as nossas atividades diárias mais difíceis. Se a unidade tivesse apenas a sua lotação, seria mais fácil administrar. Agora, em nenhum momento a superlotação tem tornado o presídio e a penitenciária mais vulneráveis. Já tivemos situações de maior superpopulação em unidades prisionais e elas não se tornaram frágeis. O que torna uma unidade frágil ou não são os seus procedimentos de segurança, e os procedimentos naquela unidade são rigorosos.

É difícil a PM entrar em uma unidade prisional. Ela teve que ser chamada porque a situação estava saindo do controle?
Não. Havia muitos manifestantes do lado de fora jogando fogos de artifício. Isso estava atrapalhando a nossa atividade. Dentro da unidade prisional, os presos não sabiam se eram bombas de efeito moral que a polícia estava usando contra os manifestantes ou se eram rojões. Em determinados momentos, os detentos estavam chutando as portas dizendo que a polícia estava agindo contra os familiares. A PM agiu corretamente, tanto no perímetro quanto dentro da unidade prisional. 

A presença forte do PGC, que se espalhou pelas ruas de Santa Catarina, tem tornado mais difícil o trabalho na unidade?
Não negamos a existência de organizações dentro das unidades prisionais, porém, acompanhamos todas as ações e desenvolvimento delas dentro daquilo que a gente consegue com o uso de tecnologia e inteligência.

Esta situação isolada dentro da penitenciária causou uma reação nas ruas?
Vou me ater ao sistema prisional. O fato iniciado dentro da Penitenciária da Canhanduba, com algumas manifestações na segunda-feira e o movimento sendo acirrado mais na terça-feira, foi compreendido, enfrentado e normalizado no dia de hoje. E a gente atuou dentro dessa lógica. Não tenho conhecimento nem competência para comentar sobre o que aconteceu fora da unidade.

Mas uma coisa puxa a outra. Não tem como desvincular uma coisa da outra...
Isso a gente não sabe, a gente está estudando as informações, ouvindo os presos, os familiares. A própria unidade tem sido visitada por autoridades de controle externo. A gente ainda está trabalhando no diagnóstico dessa situação.

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