Onda de violência

Governo deve enviar PMs para a Serra após 120 assassinatos no ano

Secretário de Segurança Pública afirma que estuda a ampliação da Operação Avante para Caxias do Sul

Por: Mauricio Tonetto
18/10/2016 - 17h30min | Atualizada em 19/10/2016 - 07h39min
Governo deve enviar PMs para a Serra após 120 assassinatos no ano Porthus Junior/Agencia RBS
Perseguição policial terminou com três bandidos mortos pela PM na noite da última segunda-feira, em Caxias Foto: Porthus Junior / Agencia RBS

Atingida pela maior onda de assassinatos dos últimos anos, Caxias do Sul deve receber, nos próximos dias, reforço policial do governo do Estado. Na noite de segunda-feira, foram seis mortes violentas em uma hora — em 2016, já são 120 vítimas, cinco homicídios a mais do que os 12 meses de 2015. O recorde registrado para um ano é de 134.

"Mais 90 dias, no mínimo", diz Schirmer sobre Força de Segurança

O secretário de Segurança Pública, Cezar Schirmer, garante que a Brigada Militar estuda o envio de homens à Serra Gaúcha, numa extensão da Operação Avante, "possivelmente em breve".  Além disso, o Piratini vai pedir a prorrogação da presença da Força Nacional de Segurança no Rio Grande do Sul por pelo menos mais 90 dias, e a ampliação do número de agentes — no momento, são 136 policiais de elite nas ruas da Capital.

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— Ainda não há uma decisão, e sim uma intenção (da Operação Avante na Serra), mas depende de algumas coisas. Possivelmente vá acontecer em breve. Os resultados, onde temos feito, são positivos. O crime se movimenta e nós vamos atrás e mostrar que ele não compensa — diz Schirmer.

Os homicídios mais recentes envolvem uma jovem que não teria qualquer envolvimento com o tráfico de drogas. Lílian Cassini, 21 anos, foi baleada por volta das 22h30min de segunda-feira no bairro Planalto. Ela estava dentro de um carro com Jonas Almeida de Mello, 26 anos, também executado — ele era suspeito de ligação com bandidos. 

As vítimas, conforme a Polícia Civil, acabaram mortas em represália aos assassinatos de Priscila de Lima Boeira, 29 anos, e Stefani de Souza de Oliveira, 24 anos, no último sábado, no bairro Fátima. Para o delegado Rodrigo Kegler Duarte, não há dúvidas de que se tratam de execuções. O local onde aconteceu o crime, na Rua Antônio Benevenuto de Marchi, seria em frente à casa de Mello, o que endossa a tese de uma emboscada. 

— Se trata evidentemente de execução, até pelo armamento e pela forma como aconteceu — aponta Duarte.

Migração do crime

Depois de alvejarem Lílian e Jonas com 40 disparos, os atiradores fugiram em um veículo HB20 branco e foram perseguidos pela Brigada Militar. Na fuga, rodaram pelos bairros Planalto, Diamantino, Cruzeiro, Bela Vista e Cristo Redentor. Encurralada na Vila Ipiranga, a quadrilha abandonou o carro na Rua João Pedrinho Pistorello e tentou escapar a pé. 

Em uma escadaria, Eduardo de Jesus, 19 anos, Eduardo Mascarello, 23 anos, Rodrigo Pavan, 34 anos, e Robson de Souza Nunes, 30 anos, terminaram abatidos. Anderson Lima de Miranda, 34 anos, sobreviveu porque usava um colete à prova de balas.

Lílian Cassini era comissária de bordo e morava no bairro Planalto, em Caxias do Sul Foto: Facebook / Reprodução

— Eles provavelmente entraram sem conhecer a Vila Ipiranga. Resolveram se refugiar em um local alto, e o preparo dos PMs prevaleceu — ressalta o major Emerson Ribas, comandante do 12º BPM.

As ligações da quadrilha são investigadas pela polícia. O HB20 utilizado para matar Lílian e Mello tinha placas de Viamão, o que indica que o grupo pode atuar na Região Metropolitana. Segundo Cezar Schirmer, isso seria uma consequência natural do endurecimento do combate à violência em Porto Alegre:

— Essa é a guerra do tráfico. As facções são estaduais. Na Capital, com os resultados positivos da Avante, os bandidos estão fugindo. Primeiro para o Litoral Norte, o que fez lançarmos a continuidade da operação naquela região. Agora examinamos, pelo incremento dos homicídios em Caxias, uma Avante na Serra.


 
 
 
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