Morte na eleição

Morte de Zalewski será investigada apenas pela Polícia Civil

Caso passará para PF somente se for levantada a hipótese de homicídio com motivação eleitoral

18/10/2016 - 20h31min | Atualizada em 18/10/2016 - 20h31min

Em razão das provas colhidas até agora, ficou decidido ontem, em decisão conjunta com a Polícia Federal, que caberá apenas à Polícia Civil a investigação da morte do coordenador do plano de governo do candidato Sebastião Melo (PMDB), Plínio Zalewski. 

O caso somente mudará de esfera se, no decorrer do inquérito, for levantada a hipótese de homicídio com motivação eleitoral, pois a Lei de Segurança Nacional prevê que a Polícia Federal assuma investigações em episódios de "atentado pessoal ou atos de terrorismo, por inconformismo político". Por ora, está sendo tratado como suicídio.

— Por enquanto não tem nada que indique algo diferente de suicídio — disse o delegado Paulo Grillo, diretor do Departamento Estadual de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).

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Segundo o delegado, o bilhete encontrado próximo ao corpo de Plínio demonstra que o político estava sentindo-se "pressionado, perseguido e desconfortável com o contexto político", situações inerentes à função que ocupava na sociedade e que não podem ser dissociadas.

— É um bilhete em tom de despedida, no qual ele fala da boa e da má política, que não é essa política que ele quer. Mostra-se chateado e diz que estava sendo perseguido injustamente. Fala também da família. No entanto, em nenhum momento ele acusa pessoas ou cita nomes. São reclamações de forma geral. Com isso, ele decidiu se matar, o que não configura crime eleitoral — reforça Grillo, salientando que a autenticidade do documento está sendo analisada pelo Instituto-Geral de Perícias (IGP) e que não há previsão de conclusão da análise.

— Gostaríamos de ter essa informação antes de concluir o inquérito (30 dias). Mas se não for possível, a gente inclui essa informação depois — acrescenta.

Durante o velório, na manhã de ontem, Melo sugeriu que a PF entre no caso com a alegação de que carros faziam campana para vigiar integrantes do diretório do PMDB, o que poderia indicar a possibilidade de assassinato.

— Da mesma forma que a Polícia Federal está investigando os tiros que aconteceram no outro comitê (de Nelson Marchezan Júnior, do PSDB), entendo que essa investigação deva ser conduzida pela Polícia Federal e essa resposta deve ser dada o mais rápido possível. Nós perdemos uma vida, um grande companheiro. Estamos todos consternados, abatidos, machucados. Espero que aconteça a investigação, especialmente de um bilhete que pode ser altamente esclarecedor, que seus e-mails possam ser quebrados, o seu telefone possa ser acessado e que todos os dados possam ser aportados para uma investigação sem nenhuma ilação. Mas que as coisas possam vir à tona e serem esclarecidas – disse Melo.

No entanto, o delegado Paulo Grillo sustenta que relatos colhidos entre pessoas próximas à vítima corroboram com a hipótese de suicídio e afastam a possibilidade de homicídio.

Encontrado na tarde de segunda-feira, o corpo de Zalewski estava em um banheiro do diretório do PMDB no bairro Cidade Baixa, em Porto Alegre. O enterro ocorreu às 14h30min de ontem, no Cemitério João XXIII, na Capital, ao som de Felicidade, de Lupicínio Rodrigues, tocada pela Orquestra Jovem do Rio Grande do Sul, e terminou com uma longa salva de palmas. 

 
 
 
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