Brasília

Após depoimento de Calero à PF, oposição fala em impeachment 

Temer confirmou que conversou com Calero sobre o pedido de Geddel, mas negou pressão sobre o ex-ministro

Por: Estadão Conteúdo
25/11/2016 - 08h55min | Atualizada em 25/11/2016 - 08h56min
Após depoimento de Calero à PF, oposição fala em impeachment  Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Ex-ministro da Cultura, Calero pediu demissão na sexta-feira passada Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil  

A oposição na Câmara disse na noite desta quinta-feira que o depoimento de Marcelo Calero à Polícia Federal é caso para impeachment. O ex-ministro da Cultura apontou pressão do presidente Michel Temer para resolver a liberação do empreendimento imobiliário em Salvador (BA) onde o ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima, comprou um apartamento.

O vice-líder do PT, deputado Paulo Pimenta (RS), vê desvio de finalidade, uso do cargo de presidente da República para objetivos privados e crime de responsabilidade.

— Isso é passível de impeachment —, declarou.

O porta-voz da Presidência, Alexandre Parola, confirmou que Temer conversou com Calero sobre o pedido de Geddel, mas negou pressão sobre o ex-ministro. Segundo Parola, o presidente "sempre endossou caminhos técnicos para solução de licenças em obras ou ações de governo".

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Pimenta disse que a bancada ainda avaliará as medidas jurídicas cabíveis, mas está seguro de que a Procuradoria-Geral da República (PGR) e o Supremo Tribunal Federal (STF) serão acionados para investigar a denúncia.

— Isso é corrupção ativa. Já tínhamos classificado como prevaricação (de Temer) porque o Calero disse que tinha comunicado. Se Temer atuou, ele é cúmplice —, afirmou Pimenta.

O deputado afirmou que a situação pode culminar no afastamento de Temer porque o suposto crime de advocacia administrativa ocorreu durante o exercício da Presidência da República.

Pimenta lembra que a oposição tentou aprovar requerimentos de convocação de Calero e Geddel na Câmara, mas os governistas impediram a aprovação dos pedidos.

— Isso explica o pavor do governo de convocar o Geddel. Temer sabia o que tinha feito —, disse.

O líder da Rede na Câmara, Alessandro Molon (RJ), sugeriu convocar Calero, para confirmar aos deputados a denúncia. Se o ex-ministro repetir o que disse à Polícia Federal, o deputado defenderá a coleta de assinaturas para a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI).

— Se ele confirmar, a denúncia é extremamente grave —, afirmou Molon.

Para o líder partidário, o caso demonstra inicialmente que o posto mais alto do País foi usado para pressionar um servidor público a atender o interesse privado de Geddel.

O líder do PT, deputado Afonso Florence (BA), disse que as bancadas na Câmara e no Senado vão continuar atuando para apurar o caso, "que agora ficou muito mais grave, com o envolvimento de Temer nas denúncias".

"Identificado o crime de responsabilidade, o caminho é a abertura de um processo de impeachment de Temer. O governo Temer derrete", afirmou por meio de nota.

Base

O vice-líder da bancada do PMDB, Carlos Marun (MS), disse não acreditar que os fatos tenham ocorrido da forma como foram expostas por Calero e que ele não merece crédito.

— Trata-se de um homem magoado e a mágoa está o fazendo ter uma reação raivosa —, concluiu Marun.

O peemedebista observou que a denúncia contra Temer não tinha aparecido antes e que está convicto de que o ex-ministro mentiu.

— Agora ele vem com essa conversa? —, questionou. Sobre um possível pedido de impeachment de Temer, Marun classificou a hipótese de "loucura".

 
 
 
 
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