Bairro Floresta

Agressores de morador de rua responderão por lesão corporal 

Inquérito sobre o caso será encaminhado à Justiça até o fim da semana 

09/01/2017 - 18h55min | Atualizada em 09/01/2017 - 19h02min

Após serem ouvidos na tarde desta segunda-feira, os três vigilantes suspeitos de agredir um morador de rua na véspera do Ano-Novo em frente ao Zaffari da Avenida Cristóvão Colombo serão indiciados por lesão corporal. Os homens confirmaram que eram eles nas imagens gravadas por uma câmera de segurança, mas negam que tenham recebido ordens para espancar a vítima. O trio alegou que andarilho o ameçava frequentemente, assim como fazia com pedestres e fiéis.

Conforme o titular da 3ª DP, delegado Hilton Müller, o trio alegou que o andarilho, conhecido como Alemão, ameaçava os pedestres e o fiéis que frequentam a igreja muitas vezes de forma acintosa.

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— Eles relataram que muitas pessoas que voltavam do supermercado entregavam coisas para ele (Alemão) porque sentiam-se ameaçadas — diz Müller, acrescentando que a advogada dos vigilantes pediu para apresentar testemunhas que comprovem as ameaças.

Alemão também teria dito aos seguranças que eles "atrapalhavam o seu trabalho", além de entrar com frequência dentro dos contêineres de lixo e espalhar resíduos pela via.

No dia das agressões, Alemão teria feito ameaças e dito para dois dos suspeitos que estava com uma faca. Um desses homens é irmão do indivíduo que iniciou o espancamento. A arma, teria dito o andarilho, seria para atacar este primeiro agressor.

— Esse rapaz (que começou as agressões) sempre buscava um lanche no mercado antes de começar o turno. Quando viu o Alemão, pediu a faca e chamou o irmão, que foi com o cassetete, e o outro colega — relata o delegado. Em seguida, teriam começado as agressões.

— O vigilante que começou o espancamento admitiu o erro. Disse que se excedeu, mas que estava com raiva e medo. 

O trio será indiciado por lesão corporal, crime que não prevê prisão preventiva ou cautelar, e o inquérito deve ser encaminhado à Justiça até o fim da semana.

Sindicato deve se manifestar nesta terça-feira

Outra motivação para as agressões seria o furto de um corrimão da parte externa da igreja. Segundo Müller, o fato foi confirmado por imagens da câmera de segurança do local. Em depoimento nesta tarde, o morador de rua negou o ato e disse que estava "possuído" no momento do crime. O delegado estuda indiciar Alemão pelo furto.

Depois da divulgação das imagens da agressão, a empresa Securi Clean, responsável pela contratação dos vigilantes, teve o contrato rompido com a Assembleia de Deus, único local onde presta serviços em Porto Alegre. Os três suspeitos também foram demitidos.

Na sexta-feira, o representante da empresa de Santa Maria garantiu que encaminharia toda a documentação à polícia, no entanto, até o momento, Müller nada recebeu.

Procurado pela reportagem, o Sindicato das Empresas de Segurança Privada do Rio Grande do Sul (Sindesp) disse que só vai se manifestar sobre o caso na tarde de terça-feira por meio de nota. 

 
 
 
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