Obituário

Morre, aos 89 anos, o jornalista e radialista Jayme Copstein

Natural de Rio Grande, comunicador atuou nos principais jornais e emissoras de rádio do Rio Grande do Sul, como a Rádio Gaúcha

13/01/2017 - 16h43min | Atualizada em 14/01/2017 - 15h06min
Morre, aos 89 anos, o jornalista e radialista Jayme Copstein Luiz Armando Vaz/Agencia RBS
O jornalista Jayme Copstein ficou 19 anos à frente do Gaúcha na Madrugada, programa que ia ao ar da meia-noite as 3h Foto: Luiz Armando Vaz / Agencia RBS  

O jornalista e radialista Jayme Copstein morreu ontem, aos 89 anos, na Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre. Ele estava internado desde dezembro para tratar um câncer de pulmão. Natural de Rio Grande, começou na comunicação aos 15 anos, no jornal A Gazeta da Tarde, depois de vencer um concurso de redação na escola. Também trabalhava na Rádio Cultura Riograndina.

Filho do imigrante moldávio Bernardo Copstein e de Léa Copstein, nasceu em 7 de janeiro de 1928. Após mudar-se para Porto Alegre, aos 17 anos, começou a trabalhar na Rádio Farroupilha.

A família, no entanto, não o apoiava. Sob pressão, teve de fazer um curso universitário. Optou pela Odontologia. Recém formado, passou a atuar em Rio Grande e, durante 10 anos, trabalhou como dentista e jornalista simultaneamente.

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De volta a Porto Alegre, em 1960, retornou à Rádio Farroupilha, mas pouco tempo depois ingressou na redação do Diário de Notícias, onde permaneceu por sete anos. Além disso, foram 16 anos no Correio do Povo — entre 1968 e 1984 — e em torno de um ano no Jornal do Comércio. 

Três livros publicados

Em 1985, Jayme voltou para a rádio. Desta vez, assumiria um programa no horário da meia-noite até as 3h na Rádio Gaúcha. O Gaúcha na Madrugada foi ao ar em 4 de fevereiro de 1985. Em uma época em que não existia internet, a interatividade se dava através de ligações telefônicas. 

O Gaúcha na Madrugada foi ao ar em 4 de fevereiro de 1985. A trilha sonora foi escolhida pelo músico Wladimir Lattuada, o operador era Glademir Menezes e a arquitetura do programa ficou a cargo de Délcio de Souza. A atração, que contava com a participação dos ouvintes, durou 19 anos.

O crescimento da audiência fez com que fosse preciso encontrar uma alternativa para ouvintes que criavam situações constrangedoras. O jornalista, então, adotou o grasnar de um pato para usar quando alguém dizia algo inconveniente no ar.

Em 1995, com a formação da Rede Gaúcha Sat, o programa tornou-se nacional e passou a se chamar Brasil na Madrugada. No mesmo ano, Jayme recebeu a Medalha de Prata no Festival Internacional de Rádio de Nova York, na categoria Melhor História de Interesse Humano, com o trabalho Memórias de um Menino de Rua, narrando a trajetória do economista Carlos Nelson dos Reis. 

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Em 2004, deixou o comando do programa, tornando-se comentarista da Rádio Gaúcha até 2007. Depois disso, apresentou o programa Paredão, na Rádio Pampa e foi colunista do Jornal O Sul. Como escritor, Jayme teve três livros publicados: Notas Curiosas da Espécie Humana (2001), A Mosca e o Elefante (2006) e Ópera dos Vivos (2008). Atualmente, também publicava textos jornalísticos no site que criou e em sua página no Facebook.

Copstein deixou admiradores também fora do Estado. Na tarde deste sábado, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, emitiu nota oficial de pesar. "Guardo dele uma memória pessoal e muito afetiva, porque meu querido pai era seu fã e o acompanhava diariamente no programa Gaúcha na Madrugada. Meu carinho e orações aos seus familiares", disse Alckmin, que já havia lembrado do jornalista há seis meses, em entrevista ao Timeline, da Gaúcha.

Casado com Maria Eulina de Albuquerque Copstein por 52 anos, o jornalista ficou viúvo em 2005. É pai de Léa, Lucy e Leslie, avô de Berenice, Bruna, Joyce, Lídice e Alicia e bisavô de Lucas e Carlos Eduardo, além de uma bisneta que está para nascer. 

O sepultamento está marcado para domingo, às 17h, no Cemitério do Centro Israelita, em Porto Alegre (Rua Guilherme Schell, 315).


 
 
 
 
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