Nova investigação

Polícia abrirá inquérito para apurar furto cometido por morador de rua espancado

Delegado responsável pelo caso afirma que imagens cedidas pela igreja Assembleia de Deus mostram jovem furtando corrimão do local 

Por: Zero Hora
10/01/2017 - 18h26min | Atualizada em 10/01/2017 - 18h26min
Polícia abrirá inquérito para apurar furto cometido por morador de rua espancado Paulo Rocha/Rádio Gaúcha
Foto: Paulo Rocha / Rádio Gaúcha  

O delegado Hilton Müller, titular da 3ª Delegacia de Polícia (DP) de Porto Alegre e responsável pelas investigações do caso de agressão a um morador de rua na Avenida Cristóvão Colombo, confirmou que vai abrir novo inquérito para apurar um furto praticado pelo jovem. Edson Luiz Christian Wahlbring, 25 anos, conhecido como Alemão, aparece em imagens fornecidas pela igreja Assembleia de Deus — onde os agressores trabalhavam como vigias terceirizados — furtando um corrimão do prédio, conforme relata Müller:

— Vamos abrir um novo inquérito para investigar o crime praticado pelo morador de rua. Imagens mostram ele (Alemão) arrancando o corrimão da igreja no dia 25 de dezembro (de 2016) e indo embora. A partir desta denúncia e dos materiais apresentados, vamos apurar o fato e analisar um possível indiciamento por furto — explicou.

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Ainda conforme o delegado, até quinta-feira, testemunhas encaminhadas pelos três autores dos golpes contra o morador de rua deverão ser ouvidas pela Polícia Civil. Novos relatos de supostas ameaças praticadas por Alemão a pedestres e fiéis da igreja poderão ser incluídos nesse novo inquérito.

— Existem outros relatos de que o morador de rua ameaçava e intimidava outras pessoas que frequentavam a igreja ou que passavam pelo entorno do local, mas nada foi confirmado ainda. Vamos apurar, conforme o depoimento de novas testemunhas, e avaliar se incluímos ou não na investigação.

Müller disse que a Securi Clean, empresa terceirizada contratada pela igreja, estava com sua situação regularizada junto ao Grupamento de Supervisão de Vigilância e Guardas (GSVG) da Brigada Militar em Santa Maria, onde fica a sede da companhia. Após essa consulta, a polícia não deve dar andamento a investigações sobre a atuação da empresa, que demitiu os funcionários por justa causa após a divulgação das agressões.

O delegado ouviu, na segunda-feira, os três autores da agressão. Eles confirmaram o ataque ao morador de rua, justificando que a vítima dos golpes ameaçava pedestres do entorno do local e fiéis da igreja. No dia do crime, Alemão teria, segundo a versão dos agressores, ameaçado e dito para dois dos vigias que estava com uma faca, o que seria uma das causas do espancamento. Os três devem ser indiciados por lesão corporal.

O titular da 3ª DP pretende finalizar e encaminhar os dois inquéritos à Justiça até o fim desta semana.

*Zero Hora

 
 
 
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