Largo da Estação Férrea

Polícia ocupa reduto boêmio de Caxias e fala em tolerância zero

Morte de adolescente após briga motivou plano de segurança que, segundo o secretário José Francisco Mallmann, será de longo prazo

Por: Mauricio Tonetto
14/01/2017 - 01h47min | Atualizada em 14/01/2017 - 01h49min
Polícia ocupa reduto boêmio de Caxias e fala em tolerância zero Marcelo Casagrande/Agencia RBS
Foto: Marcelo Casagrande / Agencia RBS  

Uma semana após a morte do jovem Guilherme Yuri Padilha, 19 anos, as forças de segurança pública de Caxias do Sul ocuparam o perímetro das três ruas que formam o reduto boêmio da cidade, no Largo da Estação Férrea. Sob pressão para resolver o antigo problema de sucessivas confusões, brigas e homicídios no local – idealizado para ser um centro cultural e de vida noturna –, o secretário municipal da Segurança Pública, José Francisco Mallmann, garante que a ação é apenas o começo de um trabalho permanente de tolerância zero com delitos:

– Ela vai se desencadear todas as sextas e sábados, com o objetivo de dar segurança às pessoas, para que crimes como o de Padilha não aconteçam mais. Isso será rotineiro, queremos que a população perceba o poder público aqui. Pode anotar: é tolerância zero.

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Na primeira noite da nova operação, as ruas Augusto Pestana, Coronel Flores e Os Dezoito do Forte foram bloqueadas, por volta das 23h, para a passagem de todos os motoristas, que tiveram de parar e fazer teste do bafômetro. Nas calçadas, servidores da Brigada Militar e da Guarda Municipal, supervisionados por Mallmann, revistavam dezenas de pessoas, enquanto o estacionamento da Augusto Pestana, que costumava abrigar carros com som alto, era bloqueado. 

O novo cenário de vigilância deve perdurar, pelo menos, até o final de 2017, assegura o secretário. Para isso ocorrer de fato e não se tornar outra promessa frustrada, como em anos anteriores, ele anunciou que os guardas municipais já têm as horas extras garantidas até dezembro. São eles que, com o tempo, farão a segurança todas as sextas e sábados. 

Foto: Marcelo Casagrande / Agencia RBS

Violência banal

A maior preocupação dos moradores e frequentadores do local é com brigas que terminem de forma trágica, como aconteceu com Guilherme Padilha, que teria sido esfaqueado somente por reagir à provocação de outro jovem, que lhe pediu um cigarro. O crime ocorreu quase em frente ao Mississippi, e as marcas de sangue ficaram próximas à porta do estabelecimento. Somado a outros episódios, foi o estopim para que o prefeito Daniel Guerra desse uma resposta prática à reclamação de quem vive no e do Largo da Estação Férrea.

– Estávamos pedindo policiamento há tempos. A gente sente que quando eles (policiais) estão circulando, é bem melhor. Precisamos dessa presença – afirma Gabriela da Silva Scopel, gerente do bar.

A ideia da gestão de Guerra é testar, a cada fim de semana, a evolução do trabalho. Não estão descartadas hipóteses como a colocação de cancela na Augusto Pestana, de guarita da Brigada Militar e de câmeras de vigilância. Ao longo dos meses, o objetivo é criar uma cultura de respeito à convivência no espaço público, o que é saudado principalmente por proprietários de bares e restaurantes, que se organizam por meio da Associação Amigos do Largo da Estação (AALE) e cobram providências urgentes. A situação piorou desde o Carnaval de 2016.

– A revitalização aqui foi bonita, a população recebeu coisas novas. Acho que, para manter, ações como essas (de sexta-feira) podem repercutir para a cidade como um todo. Pedimos que nos socorram para controlar isso aqui. É óbvio que ninguém quer ter na sua porta alguém sofrendo qualquer tipo de abuso ou sendo machucado – pondera César Casari, dono da Level. 

Neste sábado, uma segunda operação dará prosseguimento à ofensiva na Estação Férrea. Em horário a definir, as forças de segurança vão bloquear pontos estratégicos, e prometem revistar e abordar quem estiver por perto. 

Foto: Marcelo Casagrande / Agencia RBS


 
 
 
 
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