Reflexos da crise

Desemprego e preço deixam 26 mil pessoas sem plano de saúde em Caxias

Dados da ANS referem-se aos últimos dois anos no mercado da cidade e evidenciam o reflexo da crise

Por: André Tajes
14/02/2017 - 09h10min | Atualizada em 14/02/2017 - 13h14min
Desemprego e preço deixam 26 mil pessoas sem plano de saúde em Caxias Roni Rigon / Agência RBS/Agência RBS
O empresário Getulio Fonseca precisou cortar benefícios para manter empregos Foto: Roni Rigon / Agência RBS / Agência RBS  

Os planos de saúde estão se readaptando à nova realidade do mercado diante da atual crise econômica. O impacto do fechamento de quase 25 mil vagas de trabalho em Caxias do Sul, desde 2013, também atinge as operadoras do serviço de saúde. Dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) revelam que, nos últimos dois anos, 22.234 pessoas tiveram seus contratos cancelados no município. O número total (empresariais e individuais) chega a 26.218. Só no ano passado, 7.235 segurados foram desligados dos planos de saúde empresariais.

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Para o diretor executivo do Simecs, Odacir Conte, a principal causa da redução nos planos coletivos são as demissões do setor metalmecânico. Ele lembra que, mesmo após a demissão, os trabalhadores têm a opção de continuar com o plano da empresa desde que suportem o custo.

— Em alguns casos, o custo de um plano individual chega a aumentar duas vezes em comparação com o plano coletivo — diz.

O assunto é tratado com discrição no meio empresarial. Por isso não há números oficiais de empresas que estão retirando ou negociando novos contratos para reduzir o benefício. Segundo Conte, vários empresários estão migrando para outros planos, com custo menor.

— As empresas não estão aceitando reajustes.

Na semana passada, a Guerra SA cancelou o plano de seus funcionários. A empresa estuda a contratação de um novo plano, com valores menores. A assinatura do novo contrato está prevista para esta semana.

Na Perfilline, o corte das despesas foi ainda mais radical. Para o sócio-proprietário Getulio Fonseca, em abril do ano passado, a proposta de reajuste de 37% apresentada pela operadora acelerou a necessidade de cortar o benefício como alternativa para manter os empregos. Fonseca diz que a decisão teve o aval dos funcionários. O empresário subsidiava 60% do benefício e o valor chegava a R$ 15 mil por mês.

— Havia abuso dos planos. Quando a gente estava bem, não enxergava esses exageros.

Com a recuperação dos negócios, Fonseca planeja retornar com o benefício, mas vai em busca de um novo plano, com valor menor. Outro custo que também precisou ser reduzido foi com a alimentação dos trabalhadores. Para manter o benefício, ele reduziu a quantidade de pratos quentes e saladas.

Metalúrgicos têm opção de atendimento

Os trabalhadores do setor metalmecânico têm uma alternativa ao perder o plano de saúde: o serviço de atendimento médico e odontológico para associados da categoria.

Segundo o presidente em exercício do Sindicato dos Trabalhadores, Claudecir Monsani, mesmo os demitidos que estejam no aviso-prévio, podem se associar e garantir os benefícios.

— Infelizmente, os planos de saúde têm taxas de aumento muito altas.

Monsani reconhece a dificuldade de algumas empresas manterem suas obrigações, mas acusa outras de se aproveitarem do momento de crise para retirar direitos dos trabalhadores.

— É o oportunismo no sentido de diminuir custos.

O sindicato oferece consultas com clínico geral, ginecologista, pediatra, dermatologista e cardiologista, além de atendimento odontológico e convênios com médicos de outras especialidades. A mensalidade mínima (para salário até R$ 2.452) é de R$ 36,78, mais a contribuição sindical, no valor de R$ 12. A alternativa para os trabalhadores que perderam o emprego é a contratação de plano de saúde individual. Porém, o valor é alto.

O Pioneiro pesquisou os valores cobrados para faixa etária de 25 anos do trabalhador em três operadoras. A solicitação inclui quarto semi-privativo (ver quadro no alto da página). 

O que dizem as operadoras de saúde

O cenário de crise que estamos vivenciando, especialmente longo, certamente não nos permite a ausência de avaliações sistemáticas e ações específicas de ajustes. Sabemos que a crise passará e que precisaremos estar com os fundamentos em que acreditamos fortalecidos. Nesse sentido, nossas ações para superação da crise focam um grau maior de cautela na gestão e vínculos ainda mais próximos com nossos clientes e a cadeia prestadora de serviços. Esses movimentos, contudo, não incluem ações precipitadas, desordenadas e/ou desalinhadas dos nossos fundamentos estratégicos em que acreditamos e estamos trilhando. Temos uma convicção: sairemos mais fortalecidos da crise. Roberto Zottis, diretor geral do Fátima Saúde

Dentro da modalidade empresarial, o Círculo conquistou o conceito de ser uma importante opção para redução de custos nas empresas. Assim sendo, com as operações comerciais realizadas e a desaceleração no número de exclusões, a operadora já percebe leves sinais de que o setor está se recuperando. Reforço, ainda, que isso tudo se deu por meio do forte trabalho de entendimento das reais necessidades das empresas e, igualmente, com a dedicação que a área de relacionamento promoveu para a retenção a de clientes.
Regina Zagonel, diretora de Mercado do Círculo Saúde

A Unimed não vai se pronunciar sobre a perda pontual de clientes, até em respeito à situação deles em meio à crise atual.
Assessoria de imprensa da Unimed


 
 
 
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