Seu Problema é Nosso

Falta de vaga no transporte social pode fazer Luis Henrique perder tratamento de fisioterapia na AACD

Cadeirante há um ano, esta é a chance de Luis voltar a caminhar

16/02/2017 - 08h26min | Atualizada em 16/02/2017 - 08h26min
Falta de vaga no transporte social pode fazer Luis Henrique perder tratamento de fisioterapia na AACD Tadeu Vilani/Agencia RBS
Foto: Tadeu Vilani / Agencia RBS  

É com muito esforço que a dona de casa Lisiane Lobato Nunes, 38 anos, empurra a cadeira de rodas do marido, o auxiliar de topografia Luis Henrique da Luz Pinto, 43 anos, para fora de casa. Morando em uma baixada, é um desafio subir até o nível da rua, no Bairro Jardim Carvalho, em Porto Alegre.

Há um ano, a vida da família virou de cabeça para baixo. Após uma agressão, Luis teve traumatismo craniano e perdeu o movimento das pernas, além de ter a parte cognitiva afetada e passar por traqueostomia para poder respirar. Desde então, Lisiane vem lutando para que o marido tenha um tratamento adequado, para que possa voltar a caminhar.

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Após seis meses de espera, Luis conseguiu vaga na AACD para fazer fisioterapia. Mas ainda não conseguiu o transporte social e, sem ele, não tem como ir à instituição. Sem poder trabalhar para cuidar de Luis e com duas filhas para sustentar, Lisiane e a família vivem apenas com o auxílio-doença do marido. Por este motivo, não tem condições de pagar transporte particular. Com a demora, teme perder vaga na AACD.

— Entrei com o pedido para a AACD e o transporte ao mesmo tempo para não correr riscos. A terapia dele começa em março e ainda não sabemos como ele irá. Estou desesperada — apela Lisiane.

Acessibilidade

Luis quase não sai de casa, pois mora em local de difícil acesso, com muitas ruas desniveladas, lombas e buracos. O tratamento na AACD está previsto para duas vezes por semana. Se fosse pagar particular, Lisiane teria que desembolsar R$ 280 por mês.

Foto: Tadeu Vilani / Agencia RBS

— Não temos este dinheiro, e a Secretaria da Saúde não nos dá uma posição sobre o transporte. Às vezes, quando preciso levar ele em algum lugar, tiro dinheiro da comida — diz Lisiane.

Sem nenhum tipo de acessibilidade, a adaptação de Luis em casa tem sido complicada. A residência não tem rampa na porta, os corredores são apertados e o banheiro não é adaptado.

— A gente se vira, mas é complicado. Há poucos dias, eu fui subir a lombinha aqui da frente de casa com ele e nós dois caímos. Não esperávamos por nada disso, mas aconteceu e agora só quero que ele tenha uma vida melhor, com seus direitos garantidos — diz Lisiane.

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Sem prazo para atender Luis Henrique

A Secretaria Municipal da Saúde de Porto Alegre informa que o transporte social é avaliado conforme a prioridade dos pacientes, e que o número de vagas é inferior à demanda. Por isso, é necessário priorizar alguns pedidos em detrimento de outros.

A SMS salienta que "o fluxo de solicitação e atendimento está sendo revisto, e que está estudando a otimização dos recursos para atender à maior quantidade de pacientes possíveis".

Luis, segundo a secretaria, "terá sua situação regulada". Não foi informado quando ele passará a contar com o serviço.

Produção: Shállon Teobaldo


 
 
 
 
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