Caxias do Sul

Segurança melhora na Estação Férrea, mas blitze a motoristas e poucas revistas são questionadas

Ofensiva contra a violência e confusões completa um mês no local de maior movimento noturno na cidade

Por: Mauricio Tonetto
12/02/2017 - 19h38min | Atualizada em 12/02/2017 - 20h39min
Segurança melhora na Estação Férrea, mas blitze a motoristas e poucas revistas são questionadas Felipe Nyland/Agencia RBS
Apesar da presença das forças de segurança, jovens consomem maconha e álcool livremente na Estação Férrea Foto: Felipe Nyland / Agencia RBS  

Um mês depois de receber policiamento ostensivo e ações coordenadas contra a violência e confusões, a Estação Férrea de Caxias do Sul é um lugar mais seguro para ir à noite. Frequentadores e donos de estabelecimentos do reduto boêmio da cidade comemoram a mudança, mas ainda sugerem alterações pontuais, como a colocação de banheiros químicos, o deslocamento das blitze para ruas um pouco afastadas dos bares e a presença da Guarda Municipal até o fim da madrugada — momento em que os jovens ficam suscetíveis a assaltos nas saídas das casas noturnas. 

Na noite de sexta-feira, dia 10, o Pioneiro circulou pela Estação e confirmou que as pessoas estão mais à vontade com os policiais por perto. Porém, o consumo de bebidas alcoólicas e maconha ocorre quase sem interferência nas ruas e calçadas, pois as revistas estão direcionadas, na maioria, para os veículos.

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— Mudou bastante para melhor. Antes era flanelinha, gente pedindo dinheiro e briga direto. Nós, que ficamos até amanhecer, sugerimos que a Guarda acompanhe também até as 6h — aponta o comerciante Emerson Pereira de Souza, 44 anos, que vende lanches em frente ao Mississippi.

Foto: Felipe Nyland / Agencia RBS

Anunciada na primeira quinzena de janeiro pelo secretário municipal da Segurança Pública, José Francisco Mallmann, a ofensiva — desencadeada após a morte de Guilherme Yuri Padilha, 19 anos, em uma briga — chegou à nona edição e permanece até o final do ano, pelo menos, nas sextas e sábados. 

Mallmann tem ido pessoalmente ao local acompanhar as operações e escuta as sugestões de quem vive na área ou a frequenta assiduamente. Ele relata que algumas alterações aconteceram depois do feedback com a população, como o início das blitze à 1h30min (no começo, eram às 23h) e o remanejo de efetivo para pontos estratégicos. 

— Não teve nenhum tipo de crime que envolvesse a área de segurança pública desde então. A região está se disciplinando. Como garantimos as horas extras aos guardas municipais até o final de 2017, a ação não vai acabar até lá, pelo menos — garante o secretário.

"Havia bastante problema de violência e tráfico de drogas à luz do dia. Ficou mais tranquilo para trabalhar, e os clientes também relatam isso. O convívio melhorou", diz Bernardo Comandulli, gerente do zero54 Foto: Felipe Nyland / Agencia RBS

Eficácia das blitze é questionada

Apesar dos elogios à atuação dos órgãos de segurança na Estação, um questionamento permanece desde a primeira ação: a efetividade das blitze. Alguns proprietários de bares e casas noturas associam uma queda no movimento às barreiras aos motoristas nas ruas Augusto Pestana, Coronel Flores e Os Dezoito do Forte. Os jovens que vão até o local para se divertir relatam que seria mais importante abordar as pessoas que andam pelo perímetro do que os veículos — que deveriam, segundo eles, ser parados em ruas próximas, sem tanto alarde. 

— Para quem está ali na fila, esperando para entrar na festa, é preferível ver revistas pessoais. O grande problema é a gente mal encarada, não os carros. Quem quer curtir a noite de boa não tem que ter medo da polícia — diz Isadora Franco Comunello, 18 anos.

— Blitz é só para afastar clientes. Quem mata é o cara que vem para a rua beber cachaça e incomodar. Parece exagero. Não tenho visto abordagens nos grupinhos, é esse tipo de gente o problema — complementa o segurança João Batista, 50 anos, que trabalha para um restaurante na Coronel Flores.

Mallmann salienta que as blitze seguirão ocorrendo, pois têm tirado de circulação motoristas alcoolizados, com CNH vencida ou documentos irregulares em todas as nove edições:

— Não é apenas o bafômetro. Ali se verifica tudo: situação do carro, algum foragido, transporte de drogas. O foco é naquele ponto, mas nada impede que se estenda para outras partes. Sobre o consumo de maconha, desde 2006, quando o usuário deixou de ser criminalizado, a lei autorizou a permissividade. É em todo país.

Entre as ações estudadas pela secretaria da Segurança para as próximas operações estão a instalação de um posto fixo da Brigada Militar e a viabilidade de colocação de banheiros químicos. Durante a semana, ele vai se reunir com a secretaria dos Transportes para estudar possíveis restrições a estacionamentos nas sextas e sábados na Estação. A fixação de uma cancela tem poucas chances de se confirmar.

"Mudou o público. Antes vinha uma galera mais barra pesada e nem podíamos passar em frente aos trilhos. Era tenso", conta Tainara Pimentel (D), 22 anos Foto: Felipe Nyland / Agencia RBS



 
 
 
 
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