Terceiro dia 

Chuva dificulta buscas por barco desaparecido em Rio Grande

Dom Manoel XVI sumiu na madrugada de sexta-feira em meio à ressaca que atingiu o litoral gaúcho. Com mau tempo, Marinha enfrenta adversidade para varrer área onde a embarcação foi vista pela última vez

Por: Anderson Aires - de Rio Grande
13/08/2017 - 14h40min | Atualizada em 13/08/2017 - 17h33min
Chuva dificulta buscas por barco desaparecido em Rio Grande Lauro Alves/Agência RBS
Foto: Lauro Alves / Agência RBS  

Um navio-patrulha, dois helicópteros, duas viaturas terrestres, dois dias de buscas e nenhum vestígio ou indício do paradeiro do Dom Manoel XVI, barco pesqueiro, de 22m de comprimento e 6m10cm de largura, avistado pela última vez na madrugada de sexta-feira a cerca de 15 quilômetros da costa de Rio Grande, em meio ao mar agitado em razão da ressaca que atingiu o litoral do Estado nos últimos dias. Neste domingo (13), a operação segue sem força total em razão do mau tempo que atinge a região, com chuva constante. Com a falta de visibilidade e sem condições de voo, o apoio aéreo não está sendo utilizado. Sem o uso de aeronaves, as buscas estão sendo desenvolvidas por um navio-patrulha P61, da Marinha, e por duas equipes em terra, que buscam pistas na região costeira.

A operação que tenta encontrar a embarcação e seus sete tripulantes, gaúchos da região sul do Estado, é coordenada pelo comando do 5º Distrito Naval da Marinha do Brasil. O pesqueiro sumiu em meio ao aviso de ressaca emitido pelo Serviço Meteorológico Marinho. A Marinha e a proprietária da embarcação não disponibilizam os nomes dos tripulantes do Dom Manoel XVI.

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Andrea Pereira, 47 anos, mulher de Marivaldo Rosa da Silva, 40 anos, um dos pescadores a bordo da embarcação desaparecida, disse estar apreensiva e sofrendo com a falta de notícias do paradeiro de seu marido. Neste domingo, ela esperava estar comemorando o Dia dos Pais junto de Amarildo e dos dois filhos do casal, uma menina de quatro anos e um menino de cinco.

— A dor é muito grande. Ele fez aniversário no dia 10 (um dia antes do incidente). Falei com ele nesse dia e ele prometeu estar em casa na sexta, perto do meio-dia. Essa foi a última vez que falei com ele. Está muito difícil suportar (o desaparecimento) — disse Andrea.

O barco é propriedade da Lago Pesca, que tem sede em Laguna, Santa Catarina. O Dom Manoel XVI e outros nove barcos da companhia atuam em Rio Grande. A empresa informou que pediu para suas embarcações voltarem para a barra, na quarta-feira (9), quando a Marinha disparou aviso de ressaca para a costa gaúcha. Segundo a Lago Pesca, o Dom Manoel XVI estava muito longe da costa, o que resultou na demora do retorno. A empresa disse que vai colocar duas embarcações no mar, na tarde deste domingo (13), para ajudar nas buscas. A Lago Pesca informou que o barco desaparecido estava em boas condições e passou por reforma no fim do ano passado.

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Para procurar vestígios da embarcação, a Marinha delimitou uma área de 576 km², entre o Navio Altair, embarcação naufragada que é um dos pontos turísticos de Rio Grande, e a Praia do Mar Grosso, em São José do Norte. Ao todo, 51 pessoas trabalham em campo na operação.

O comando do 5º Distrito Naval pediu apoio ao 5º Esquadrão do 8º Grupo de Aviação da Força Aérea Brasileira (FAB), em Santa Maria, que enviou um helicóptero Black Hawk para auxiliar nas buscas em Rio Grande. A aeronave, segundo a FAB, é conhecido por sua alta capacidade operacional, podendo ser utilizado em ¿reconhecimento armado, transporte aerologístico, busca e salvamento, infiltração e exfiltração de tropas¿. A expectativa do grupo de buscas era desempenhar varreduras áreas com um helicóptero modelo Esquilo, da Marinha, e o Black Hawk, considerado mais robusto e adequado para situações adversas. No entanto, o vento forte e a chuva prejudicam a visibilidade na área da operação desde sábado (12), impedindo o sobrevoo das aeronaves, que tentam ir até o local, em meio a janelas de tempo mais ameno, mas acabam voltando com a falta de condições ideais para voo. Com as tentativas frustradas, o apoio aéreo, considerado fundamental pelo capitão de guerra e mar Glauco Calhau, chefe de Operações do comando do 5ª Distrito Naval, não está sendo utilizado.

Os barcos pesqueiros Dom Manoel XV e Dom Manoel XVI, ambos registrados em Laguna, navegavam na área do Farol da Solidão, próximo ao município de Mostardas, no Litoral Norte, na quinta-feira (10). As duas embarcações pesqueiras atuam juntas, principalmente, no litoral gaúcho e utilizam Rio Grande como base. Por volta das 14h30min de quinta-feira, os comandantes das embarcações decidiram voltar para Rio Grande em razão do mar agitado. A intenção deles era de ancorar na barra na cidade da Região Sul por volta das 6h de sexta-feira, mas no retorno, por volta das 4h da madrugada de sexta, a tripulação do Dom Manoel XV perdeu contato visual e todo tipo de comunicação com o Dom Manoel XVI. Desde então, ele segue desaparecido.

O mestre do Dom Manoel XV, Jaci Manoel dos Santos, 62 anos é irmão de um dos tripulantes do barco desaparecido, Alcioni Manoel dos Santos, 53 anos. Alcioni é o comandante do Dom João XVI. Jaci acredita que o barco comandado pelo seu irmão sofreu o impacto de alguma ondulação, que chegava a seis metros de altura na ocasião.


 
 
 
 
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