Cicatrizes nucleares

Nos 68 anos da bomba de Hiroshima, Japão luta contra novo vazamento radioativo

Empresa que administra usina de Fukushima não sabe como resolver o problema

06/08/2013 | 12h21
Nos 68 anos da bomba de Hiroshima, Japão luta contra novo vazamento radioativo Toru Yamanaka/AFP
Velas povoam a superfície do rio Motoyasu, no parque do Memorial da Paz de Hiroshima Foto: Toru Yamanaka / AFP

Enquanto nesta terça-feira dezenas de milhares de pessoas lembravam, no memorial da paz de Hiroshima, o 68º ano após a explosão da bomba atômica na cidade japonesa, um vazamento de água altamente radioativa da usina de Fukushima chegava ao mar. No Japão, o sentimento antinuclear vem se intensificando desde a catástrofe na usina, em 2011.

Segundo o diretor da Força-tarefa da Autoridade Reguladora Nuclear do Japão, Shinji Kinjo, o líquido contaminado já excede os limites legais de descarga radioativa. A empresa privada que administra a usina, a Tokyo Electric Power Co. (Tepco), construiu uma barreira que se rompeu no mês passado, o que possibilitou a chegada da água contaminada ao lençol freático. A Tepco não sabe como resolver o problema, e a ideia, por enquanto, é impedir que o vazamento deixe os limites da baía próxima à usina.

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Às 8h15min de hoje (horário da explosão nuclear em Hiroshima), idosos sobreviventes do bombardeio, autoridades do governo e delegados estrangeiros fizeram um minuto de silêncio em lembrança ao 6 de agosto de 1945, quando o bombardeiro americano Enola Gay lançou a bomba atômica, no que foi interpretado como ação decisiva para dar fim à Segunda Guerra Mundial.

O ataque matou 140 mil pessoas até dezembro do mesmo ano. Três dias depois, o porto de Nagasaki foi bombardeado.

- Oferecemos do fundo do coração nosso consolo e apoio às almas das vítimas, ao afirmar que faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para eliminar este mal absoluto constituído pelas armas nucleares e construir um mundo em paz - disse o prefeito de Hiroshima, Kazumi Matsui.

Horas depois, autoridades japonesas inauguraram em Yokohama (sul) o maior navio militar já produzido pelo Japão desde o fim da Segunda Guerra Mundial, num momento em que o governo japonês toma medidas para se dotar de forças de defesa mais importantes, gerando preocupação nas vizinhas China e Coreia do Sul.

O lançamento deste barco de 284 metros, capaz de transportar nove helicópteros, ocorre num contexto de meses de tensões com a China e, em menor medida, com a Coreia do Sul por disputas territoriais.

Rapidamente após a vitória do Partido Liberal Democrata nas legislativas de dezembro de 2012, o governo japonês havia advertido que não vacilaria em recorrer à força em caso de desembarque chinês nas Senkaku, ilhas despovoadas 200 km a noroeste da costa de Taiwan, reivindicadas por Pequim sob o nome de Diaoyu.

Em janeiro, o governo do primeiro-ministro Shinzo Abe aprovou um orçamento militar de 50 bilhões de dólares para 2013-2014, em alta pela primeira vez em onze anos.
Paralelamente, Tóquio anunciou sua intenção de constituir uma força especial de 600 homens e 12 navios para vigiar e proteger as ilhas em disputa. Tóquio insiste que a celebração de Hiroshima e o lançamento do porta-helicópteros são uma coincidência.

Entre os que compareceram à cerimônia desta terça-feira estavam Clifton Truman Daniel, neto do presidente Harry Truman, que deu a ordem dos bombardeios. Foi o primeiro familiar de Truman a comparecer a uma cerimônia comemorativa no Japão.

A maioria dos sobreviventes da bomba, conhecidos pelo nome de "hibakusha", se opõem categoricamente a qualquer utilização do átomo. No Japão, o movimento de protesto contra a energia nuclear se fortaleceu desde que o governo decidiu no ano passado reativar dois reatores nucleares.

O bombardeio de Hiroshima foi seguido pelo de Nagasaki, que no dia 9 de agosto deixou 70.000 mortos. Os dois ataques levaram à rendição do Japão e ao fim da Segunda Guerra Mundial, no dia 15 de agosto de 1945.

 
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