Vida (difícil) de inseto

Troca de Mata Atlântica por eucalipto reduz em cinco vezes diversidade de formigas, aponta estudo

Segundo biólogo, folhas da árvore são tóxicas para espécies de que se alimentam os insetos

14/03/2014 | 10h41
Troca de Mata Atlântica por eucalipto reduz em cinco vezes diversidade de formigas, aponta estudo Pixar/Divulgação
Foto: Pixar / Divulgação

Uma forma de verificar a saúde de um ecossistema é avaliar a variedade de espécies que nele vivem. Pesquisadores da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC) valeram-se dessa premissa ao quantificar espécies de formigas de serapilheira, camada que mistura pedaços de folhas, galhos e matéria orgânica em decomposição, em uma região entre as Bacias Hidrográficas do Alto Tietê e do Rio Itatinga, na cidade de Mogi das Cruzes (SP).

O estudo "Estrutura das comunidades de formigas de serapilheira em cultivo extensivo da Eucalyptus grandis dunnil Maiden, em áreas de Mata Atlântica" pesquisou três tipos de ambientes: áreas em que a Mata Atlântica foi retirada para a plantação de eucaliptos, ainda em atividade; áreas em que o plantio foi desativado entre 28 e 30 anos atrás por pressões conservacionistas ou dificuldade de manejo; e unidades de conservação (UC) com mata nativa.

Nas áreas nunca desmatadas, foi possível encontrar, por metro quadrado, cerca de 25 espécies de formigas de serapilheira – do total de mais de 200 existentes. Nas florestas de eucaliptos, por outro lado, o número não passou de cinco por metro quadrado.

– Essa diferença se dá por vários fatores, mas principalmente porque as folhas de eucalipto se decompõem mais lentamente e têm altos teores de tanino, que é tóxico para muitos organismos que servem de alimento para as formigas – disse Morini, professora do curso de Ciências Biológicas da UMC.

Já em regiões onde a plantação foi desativada há cerca de 30 anos e a Mata Atlântica voltou a ocupar espaço, a média encontrada foi de 18 espécies por metro quadrado _ sinal de que a mata foi capaz de se recuperar, assim como a fauna da região. A pesquisadora escolheu estudar regiões em que a plantação estava desativada havia cerca de 30 anos - ehavia várias delas -, permitindo a obtenção de dados mais seguros (por serem coletados em mais de uma área).

Para fazer a contagem, Morini trabalhou de julho de 2010 a julho de 2013 especialmente na região da Bacia Hidrográfica do Alto Tietê. Seu grupo de pesquisadores demarcava áreas de um metro quadrado de serapilheira – fosse em área de plantação de eucalipto, mata nativa ou plantação abandonada – e levava o material para o laboratório, onde as formigas eram contadas. Para cada área estudada foram retiradas seis amostras, totalizando 120 amostras de serapilheira.

Morini trabalhou em sintonia com um grupo de pesquisadores do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (USP) durante a realização dos projetos "Riqueza e diversidade de Hymenoptera e Isoptera ao longo de um gradiente latitudinal de Mata Atlântica – a floresta pluvial do leste do Brasil" e "Biodiversity of Isoptera and Hymenoptera", sob a coordenação dos professores Carlos Roberto Ferreira Brandão e Eliana Cancello.

– Toda a metodologia que usei foi discutida para que os resultados pudessem ser comparados. Eu participava das reuniões para aprender o desenho amostral e as técnicas de coleta que seriam usadas no projeto deles e assim fazer no  –u", contou Morini.

 
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