Primeira teoria

Buracos na Sibéria podem ter sido causados por explosões de gás

Grupo de cientistas publicou um artigo com as possíveis causas após investigação no local

01/08/2014 | 14h52
Buracos na Sibéria podem ter sido causados por explosões de gás Press service Yamalo-Nenets/AFP
Foto: Press service Yamalo-Nenets / AFP

Cientistas já tiraram as primeiras conclusões sobre o buraco misterioso que surgiu na região russa conhecida como "fim do mundo". De acordo com um artigo publicado na revista Nature, provavelmente ele tenha sido causado por metano liberado após o derretimento do pergelissolo, o permafrost (típico da região).

Como o próprio nome indica, este tipo de solo fica permanentemente congelado e o aquecimento global pode ter sido o responsável por um degelo lento e constante que ocasionou a explosão de metano e deu origem ao buraco.

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O arqueólogo Andrei Plekhanov, do Centro Científico de Estudos do Ártico em Salekhard, constatou que o ar na cratera tinha altas concentrações de metano, superiores a 9,6%. Normalmente, essa quantidade no ar é de 0.000179%.

Nos últimos 20 anos, a temperatura subiu 2ºC na área de permafrost até 20 metros abaixo da superfície, de acordo com Hans-Wolfgang Hubberten, geoquímico do instituto Alfred Wegener em Potsdam, na Alemanha.

Ele especula que uma grossa camada de gelo no topo do solo prendeu o gás metano que foi liberado com o degelo do permafrost.

"A pressão de gás aumentou o suficiente para empurrar todas as camadas para fora, formando a cratera", disse Hubberten. Os cientistas especulam que mais buracos como esses podem aparecer.

Esses "depósitos" de gás metano são comuns nesta região da Sibéria e normalmente ficam presos abaixo do gelo. O metano se mantém estável a baixas temperaturas, mas conforme elas sobem, mais fenômenos como esses podem acontecer.

Para confirmar todas essas teorias, ainda serão necessárias novas visitas e estudos no local, de acordo com o que os cientistas publicaram no artigo. Uma possibilidade de "resolver" a questão é descobrir onde há grande concentração de gás e perfurar o solo, possibilitando, inclusive, a utilização desse gás.


Foto: Press service Yamalo-Nenets/AFP


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