Vale do Caí

TJ manda banco indenizar cliente confundido com ladrão em Feliz

Mecânico tentou retirar dinheiro em caixa eletrônico, não conseguiu e esperava a agência do Sicredi abrir quando banco chamou a polícia

Por: José Luís Costa
22/09/2016 - 09h56min | Atualizada em 22/09/2016 - 14h51min

A 5ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado (TJ) determinou à Cooperativa de Crédito Sicredi o pagamento de 20 salários mínimos (R$ 17,6 mil) ao mecânico Vanderlei Kretzmann, a título de indenização por dano moral.

O motivo: Kretzmann foi detido por PMs enquanto esperava, em frente a um caixa eletrônico, o banco abrir. Ele havia tentado sacar dinheiro, mas as cédulas não saíram da máquina.

Conforme seu advogado, Jamil Abdo, Kretzmann havia trabalhado a noite toda e às 7h55min de 18 de janeiro de 2008 foi até o banco para sacar R$ 200 em um caixa eletrônico. A operação foi realizada com abatimento na conta, mas o dinheiro ficou retido dentro do equipamento. E o mecânico, revoltado, ficou à espera da abertura da agência para resolver a questão.

De acordo com a sentença judicial, o Sicredi relatou que Kretzmann estava "em estado de agitação", e "permaneceu tempo em demasia" no caixa eletrônico, o que motivou desconfiança e a chamada da Brigada Militar. O mecânico, que admitiu estar nervoso por conta da situação, disse que PMs apontaram armas a ele e o conduziram à Delegacia da Polícia Civil para averiguações, sendo liberado depois.

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Cerca de um mês após o incidente, o Sicredi creditou os R$ 200 na conta do mecânico, mas a devolução não impediu a ação judicial contra o banco.

— Ele foi discriminado. É uma pessoa simples. Acharam que era um ladrão pela aparência, e isso é inaceitável. O olhar preconceituoso é que gera a indenização — afirma Abdo.

Em sua defesa, o Sicredi alegou que tentou se proteger de assaltos e que, se ocorreu excesso, foi por parte dos PMs. Mas a versão não foi acolhida pelo TJ. No acórdão, a relatora do caso, desembargadora Maria Cláudia Mércio Cachapuz, reproduz trecho da sentença de primeiro grau, no qual a juíza Marisa Gatelli afirma que o banco exagerou nas providências, causando "inegável abalo psicológico" a Kretzmann: "nenhum cidadão de bem recebe sem traumas uma abordagem policial imotivada e uma condução coercitiva à delegacia de polícia", afirmou.

Procurado por Zero Hora, o Sicredi informou, por meio da assessoria de comunicação, que não se manifestaria sobre o caso por tramitar na Justiça. 

 
 
 
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