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Gastos com segurança têm impacto na competitividade da indústria

Em São Paulo, levantamento da Fiesp aponta que 46,7% das indústrias consultadas foram alvo de algum crime, causando prejuízo de R$ 5,12 bi

15/10/2016 - 02h03min | Atualizada em 15/10/2016 - 02h03min
Gastos com segurança têm impacto na competitividade da indústria Diego Vara/Agencia RBS
Foto: Diego Vara / Agencia RBS  

A engrenagem dos custos nas indústrias ganhou o adicional da insegurança. Um empresário do ramo calçadista do Vale do Sinos, que pede para não ser identificado, relata que a preocupação com o tema é crescente na companhia e na vida pessoal. No negócio, a perturbação aumentou com um surto de sumiço de mercadorias no final do ano passado. Os pares de calçados eram faturados, mas os clientes no varejo recebiam número menor.

— Investir em segurança patrimonial chegou a ser luxo. Hoje é obrigação — diz o empresário, que toca a companhia com um irmão.

Nas fábricas da empresa, havia a presença de vigias apenas de dia e, à noite, o monitoramento era somente remoto. Agora, os vigilantes estão no local 24 horas. Aumentaram gastos do câmeras de segurança. Na sede, foi instalado controle de acesso, com identificação de cada visitante, o que não existia até o ano passado. A ordem é evitar riscos.

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Os desembolsos com monitoramento eletrônico, por exemplo, subiram 20%. O seguro do frete, que é da transportadora mas depois é repassado à fabricante, teve alta de 23% em 2016. Os gastos com segurança privada devem chegar a R$ 500 mil este ano, equivalente a 0,6% do custo total da empresa — e correspondem ao valor que poderia ser usado, no varejo, para comprar cerca de 2,5 mil pares de calçados fabricados pela empresa. Parece pouco, mas não é, diz o empresário. E tudo acaba repassado ao consumidor. Para um setor altamente voltado a exportações, é item a mais para golpear a competitividade.

— São números relevantes, que somados à alta carga tributária, encarecem ainda mais nosso produto. Para quem tem de competir com a China, cada centavo conta — avalia o empresário.

A tensão chega à vida privada. Em busca de mais sensação de segurança, os irmãos deixaram a cidade onde a empresa tem sede. Um morava em casa, outro em apartamento. Foram residir em cidade próxima, num condomínio fechado.

Em São Paulo, crime deu prejuízo bilionário

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) finalizou mês passado pesquisa que tentou dar panorama mais aproximado das consequências da onda de criminalidade nas fábricas da unidade da federação mais rica do país. O levantamento, realizado em 345 indústrias, mostrou que 46,7% das empresas foram vítimas de algum crime no período de 12 meses anteriores. Os ataques ocorreram nas sedes ou filiais em 27,1% dos casos e na etapa de transporte de cargas ou valores em 23,8% das vezes. O prejuízo estimado foi de R$ 5,12 bilhões.

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