Vulneráveis

Sem segurança de shoppings, comércio de rua amarga prejuízo com a criminalidade

Enquanto rede de varejo perdeu R$ 1,5 milhão com ataques, dono de ferragem diz ter funcionário dedicado apenas à prevenção de furtos

15/10/2016 - 02h02min | Atualizada em 15/10/2016 - 02h03min
Sem segurança de shoppings, comércio de rua amarga prejuízo com a criminalidade Tadeu Vilani/Agencia RBS
Foto: Tadeu Vilani / Agencia RBS  

A onda de assaltos, furtos e arrombamentos aflige ainda mais o comércio, principalmente o de rua, naturalmente exposto à ação dos criminosos por estar de portas abertas e contar com barreira de proteção menor em relação aos shopping centers. Apenas a rede gaúcha Multisom amarga prejuízo calculado em R$ 1,5 milhão nos últimos 12 meses, fruto de pelo menos 20 ataques em 15 lojas.

Na tentativa de estancar a sangria financeira, a empresa investiu cerca de R$ 500 mil em segurança desde então. O custo mensal dobrou. Só com monitoramento e alarmes, o gasto é de R$ 30 mil a cada 30 dias, diz o diretor-administrativo da rede, Cesar Camargo. Todas as lojas passaram a contar com sistemas de prevenção e fiscais para inibir os gatunos. Os depósitos também passaram a ter com segurança extra. O executivo diz não ter cálculo na ponta do lápis sobre o impacto dos gastos no preço das mercadorias, mas garante que existe.

— Qualquer despesa que se adiciona na empresa é impossível deixar de repassar — lamenta Camargo, que relata ter sofrido com o que classifica como surto de ataques no início do ano, principalmente no Centro de Porto Alegre.

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O dono de uma ferragem do Centro da Capital, que prefere não se identificar, faz relato semelhante. Instalou sistemas de monitoramento por câmeras 24 horas, alarme e conta com seguro para o veículo que faz a entrega e as mercadorias no estoque. Tem 11 funcionários, sendo um apenas para ficar atento e tentar evitar furtos.

— Os gastos com segurança representam 10% dos preços dos produtos que vendo — diz o empresário, em uma conta ainda mais drástica que a do Sindilojas, que dilui o percentual como impacto em toda a cadeia.

Em meio à crise na economia que também atingiu a construção civil, um dos setores que determina os ritmos das vendas nas ferragens, ao menos alguns itens ainda têm boa demanda.

— Cadeados, correntes e fechaduras de segurança seguem saindo bastante — revela o comerciante.

O quadro é reforçado pelo resultado de recente pesquisa da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) da Capital, que mostrou que um terço dos empresários ouvidos foram assaltados no primeiro semestre. A busca pela segurança privada foi a saída para conter novos ataques.

Pesquisa CDL

A Câmara de Dirigentes Logistas da Capital questionou se empresários tiveram a loja assaltada de janeiro a junho de 2016:
Sim: 34,2%
Não: 65,8%

Que providências foram tomadas*:
- Instalou equipamentos de monitoramento: 68,8%
- Colocou novos sistemas de alarme: 50%
- Substituiu portas/portões/grades/cadeados externos: 43,8%
- Contratou 1 ou mais seguranças para a loja: 40,6%
- Contratou empresa externa de segurança 24 horas: 21,9%
- Outros: 6,3%

* Poderia ser marcada mais de uma resposta

Fonte: CDL Porto Alegre

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