Criminoso internacional

Gaúcho preso no Paraguai é responsável por explosão na guerra do tráfico no Rio Grande do Sul

Jackson Peixoto Rodrigues, o Nego Jackson, dividiu facções e alavancou a disputa pelo comando do tráfico em Porto Alegre

13/01/2017 - 16h11min | Atualizada em 13/01/2017 - 18h18min
Gaúcho preso no Paraguai é responsável por explosão na guerra do tráfico no Rio Grande do Sul Divulgação/
Bandidos foram encontrados numa residência com piscina, onde mantinham 22 celulares, três pistolas e dinheiro Foto: Divulgação  

A importância da prisão do homem mais procurado no Rio Grande do Sul em Pedro Juan Caballero, no Paraguai, na tarde de quinta-feira, não é por acaso. Jackson Peixoto Rodrigues, o Nego Jackson, é responsável pela guerra do tráfico de drogas em Porto Alegre e em cidades da Região Metropolitana. 

Em 2014, ele rompeu com a facção criminosa que até então dominava o tráfico de drogas na Capial, os Bala na Cara, e arregimentou quadrilhas menores formando os Anti-bala. 

A partir dali, a batalha por territórios e pontos de venda de entorpecentes explodiu e fez disparar o número de homicídios e latrocínios. Segundo levantamento da Editoria de Segurança do Grupo RBS, as mortes violentas aumentaram 46,5% nos últimos dois anos — de 531 para 778.

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Não bastasse a guerra que assusta moradores e, por vezes, faz vítimas inocentes como uma menina de sete anos que foi morta por bala perdida de fuzil na Vila Cristalzinho em abril de 2015, os assassinatos se tornaram ainda mais brutais. Esquartejamentos começaram a acontecer como espécie de recado da ostentação e humilhação aos rivais. Só no ano passado, foram 16 decapitações.

— Ele foi o responsável por unir todos esses grupos contra os Bala. Começou matando pessoas na Vila Jardim (berço da facção do Nego Jackson). A grande responsabilidade dessas mortes é essa guerra que se estabeleceu. Para mim, era a prisão mais importante que a gente tinha de fazer no momento — avaliou a promotora de Justiça da 1ª Vara do Júri, Lúcia Helena Callegari.

Conforme o delegado Arthur Raldi, da Delegacia de Capturas do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), Nego Jackson foi o responsável por abrir as portas da fronteira com o Paraguai em favor do grupo. 

Por meio de um contato firmado no país vizinho, conseguiu trazer armamento pesado e drogas. Ao mesmo tempo que se fortaleceu no mundo crime, passou a ser visado pela polícia e a ser identificado como autor ou mandante de homicídios em Porto Alegre.

Por isso, no início do ano passado foi morar no Paraguai, mas continuou exercendo liderança na facção gaúcha. Até agora, existem nove mandados de prisão em aberto contra ele, além de outros que estão sob sigilo para não atrapalhar as investigações.

Nego Jackson (de verde, à direita) e outros três brasileiros  foram presos numa casa na cidade paraguaia de Pedro Juan Caballero Foto: Divulgação / Policia Nacional del Paraguay

Aliança com PCC é estudada pela investigação

Bandidos foram encontrados numa residência com piscina, onde mantinham 22 celulares, três pistolas e dinheiro. Embora a polícia ainda não tenha identificado as conexões dele no Paraguai, o contexto indica que Nego Jackson estaria aliado a grupos rivais ao Primeiro Comando da Capital (PCC), de São Paulo — que tenta dominar a região da fronteira. 

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A facção paulista seria aliada aos Bala na Cara em Porto Alegre, mas essa relação estaria ocorrendo em nível internacional, no Paraguai. Além disso, o traficante gaúcho é investigado em um duplo homicídio que aconteceu no país vizinho em 2 de janeiro deste ano. O casal assassinado possivelmente estaria envolvido com a facção paulista.

 
 
 
 
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