Investigação

Trabalho conjunto entre polícias possibilitou prisão de líder de facção gaúcha no Paraguai

Polícia Civil do RS troca informações com a Polícia Nacional do Paraguai há cerca de um ano em busca de criminosos foragidos

13/01/2017 - 18h04min | Atualizada em 13/01/2017 - 18h06min
Trabalho conjunto entre polícias possibilitou prisão de líder de facção gaúcha no Paraguai Polícia Nacional do Paraguai / Divulgação/Divulgação
Prisão de criminosos gaúchos no Paraguai Foto: Polícia Nacional do Paraguai / Divulgação / Divulgação  

A Delegacia de Capturas do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) de Porto Alegre iniciou trabalho conjunto com a Polícia Civil de Foz do Iguaçu (PR), a Polícia Nacional do Paraguai e a Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol) no início do ano passado em busca de lideranças gaúchas que estariam se refugiando no Paraguai.

Uma delas foi presa em agosto do ano passado na Cidade del Este. José Dalvani Nunes Rodrigues, conhecido como Minhoca, é um dos líderes dos Bala na Cara. Ele continua preso desde então, e responde por mais de 40 homicídios na Capital. Outras lideranças responsáveis por comandar o tráfico no RS ainda são procuradas no Paraguai.

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A prisão de Jackson Peixoto Rodrigues só foi possível em função do trabalho conjunto. Segundo o delegado Arthur Raldi, a Polícia Nacional do Paraguai costuma abordar brasileiros com frequência e sempre faz contato com a corporação daqui para identificar os suspeitos, que geralmente estão com documentação falsa.

Na tarde de quinta-feira, a polícia paraguaia encontrou o Nego Jackson e outros três comparsas da facção Anti-Bala em uma casa suspeita. Eles foram até o imóvel porque investigavam o duplo homicídio de 2 de janeiro. Chegando lá, encontraram os brasileiros. Na casa, apreenderam três pistolas, munições, droga e celulares. Os quatro foram presos por posse de arma. Nego Jackson e outro suspeito também vão responder por apresentarem documentação falsa.

Agora, a polícia gaúcha trabalha para trazer o traficante do RS de volta. A preocupação do delegado Raldi é que ele seja solto no Paraguai, já que os crimes aos quais responde pelo flagrante não garantem prisão no país vizinho. Além disso, não há mandado de prisão pela investigação do duplo homicídio que ocorreu lá. Por isso, a polícia corre contra o tempo para trazê-lo ao Brasil.

— É pela interação entre as polícias que estamos conseguindo segurá-lo preso lá (até que os trâmites legais fiquem prontos), do contrário ele já estaria em liberdade.

A polícia gaúcha enviou pedido formal às autoridades paraguaias solicitando a extradição dele. O trâmite pode demorar alguns dias, como aconteceu com a prisão de agosto, ou se prolongar por mais tempo. Se o pedido for aceito, o preso será entregue à polícia brasileira na fronteira.

— As prisões dessas lideranças servem de exemplo (aos criminosos) que pensam que estão protegidos fora país — afirmou Raldi.


 
 
 
 
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