Segurança

"Ele está complementando renda, diante da situação do Estado é compreensível", diz comandante sobre PM que dirige Uber

Comando vai avaliar atividade extra de sargento que reagiu a assalto na madrugada de domingo 

19/03/2017 - 16h21min | Atualizada em 19/03/2017 - 23h36min

Um sargento do 19º Batalhão de Polícia Militar (BPM) que estava trabalhando como motorista do Uber nas horas vagas reagiu, segundo a Polícia Civil, a um assalto na madrugada de ontem, em Porto Alegre. Um dos passageiros foi morto e outro baleado.

O caso ocorreu por volta das 2h na Avenida Alcides Maia, no bairro Sarandi, na zona norte da cidade. Segundo a Brigada Militar, a dupla solicitou uma corrida pelo aplicativo. Ao embarcar no carro, eles disseram que passariam em outro endereço para buscar duas moças. No meio do caminho, os passageiros teriam, então, anunciado o assalto e o mandado descer do carro — um Focus. Após entregar a chave, já fora do veículo, o policial atirou contra a dupla.

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Um dos homens morreu na hora. O outro foi socorrido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e internado no Hospital Cristo Redentor com um tiro no peito.

— Com o assaltante morto foi encontrado um simulacro. O endereço de destino era uma casa em construção — disse o delegado Daniel Mendelski Ribeiro.

A ocorrência foi registrada na Polícia Civil como roubo com reação e legítima defesa. O caso será investigado pela 12ª Delegacia de Polícia.

Sobre o fato de o policial militar estar trabalhando como motorista de Uber nas horas vagas, o comandante do 19º BPM, onde o sargento é lotado, tenente-coronel Marcelo Tadeu Pitta Domingues, explicou que a atividade extra não é proibida desde que esteja dentro da legalidade e que a arma usada é particular.

Ele não descarta, porém, a possibilidade de abrir um procedimento interno para avaliar a conduta do policial. Segundo o comandante, os casos de trabalho nas horas vagas são avaliados individualmente.

Além de apurar a legalidade do serviço, a BM verifica se o policial está cumprindo as escalas de serviço corretamente e se não está passando por nenhum tratamento de saúde. O que não pode ocorrer, na avaliação do comandante, é intervenção do serviço extra no bom andamento da atividade policial.

— Se ele cumpre o serviço na Brigada Militar e o que ele está fazendo (nas horas vagas) não é ilegal, ele está complementando a renda dele. Diante da situação do Estado é compreensível — completou o comandante.


 
 
 
 
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