Porto Alegre

Adolescente suspeito de matar juiz responderá por ato infracional equivalente a homicídio

Polícia instaurou procedimento de apuração por ato infracional considerando que o motivo do crime — ciúme — foi fútil e o assassinato dificultou a defesa da vítima

17/04/2017 - 11h13min | Atualizada em 17/04/2017 - 14h00min
Adolescente suspeito de matar juiz responderá por ato infracional equivalente a homicídio Cid Martins/Gaúcha
Foto: Cid Martins / Gaúcha  

O adolescente de 17 anos que confessou ter matado no último sábado o juiz do Trabalho Cláudio Roberto Ost, 50 anos, no bairro Vila Nova, na zona sul de Porto Alegre, responderá a um procedimento de apuração de ato infracional, semelhante ao inquérito quando envolve adultos, por homicídio duplamente qualificado. A definição é do delegado Christian Nedel, titular da 1ª Delegacia de Adolescente Infrator do Departamento Estadual da Criança e do Adolescente (Deca).

Segundo ele, o jovem matou a vítima por motivo fútil e com recurso que impossibilitou a defesa do magistrado. Nedel pretende concluir o procedimento até quarta-feira e, conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), o prazo para o fim da instrução judicial é de 45 dias a partir da internação provisória. O adolescente já está desde a manhã de domingo internado provisoriamente em uma unidade da Fundação de Atendimento Socioeducativo (Fase) na Capital.

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O autor do fato confessou à polícia que cometeu o ato infracional por ciúme. Há, no entanto, uma contradição entre os depoimentos do adolescente e da namorada do juiz, de 25 anos, que seria a pivô do crime. Ela afirmou à polícia que já não tinha um relacionamento com o rapaz há mais de dois meses, quando teria iniciado uma relação com Ost.

— Essa não foi a alegação do adolescente. Ele afirma que ainda mantinha uma relação com ela e cometeu o crime quando surpreendeu o casal no quarto — diz o delegado.

O juiz do Trabalho conheceu a mulher em Soledade, no norte do Estado, e, desde então, mantinham um relacionamento. Segundo o depoimento dela à polícia, ela alugava uma casa em Porto Alegre e vivia em trânsito entre a Capital e o município do Interior. Na semana anterior à morte do juiz, eles haviam partido, com o filho dele, de nove anos, e uma amiga dela, para uma semana em Balneário Camboriú, em Santa Catarina. Quando voltaram na sexta-feira à noite, dormiram na casa dela, no bairro Vila Nova.

Foto: Inácio do Canto / Secom/TRT4

Investigação

De acordo com a apuração policial, o adolescente teria pulado o muro da casa no sábado pela manhã e discutido com o magistrado. A discussão terminou com a namorada do juiz e a amiga expulsando o rapaz da casa. Sentindo-se inseguro, Ost teria resolvido ir embora. Ele e o filho seguiriam para Santo Cristo, no noroeste do Estado, onde passariam a Páscoa com familiares.

— Ele colocou o filho no banco traseiro do carro e, quando iria embarcar, viu o adolescente se aproximando. Saiu do carro e tentou fugir — explica o delegado.

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Cláudio Roberto Ost foi atingido por cinco disparos de revólver calibre 38 pelas costas. O adolescente alegou que havia buscado a arma em casa e cometido o crime. Depois, teria arremessado o revólver em um arroio próximo. A arma não foi encontrada pela polícia.

Apesar da definição do procedimento contra o adolescente, que confessou o crime, a polícia ainda não considera o caso encerrado. Novas testemunhas serão ouvidas e possíveis trocas de mensagens em celulares apreendidos serão analisadas. A 4ª Delegacia de Homicídios de Proteção à Pessoa (DHPP), de Porto Alegre, ainda investiga as demais circunstâncias do crime, e não está descartado que mais pessoas possam ter participado, seja fornecendo informações ao adolescente ou até mesmo ordenando o crime.

O adolescente, que completa 18 anos em setembro deste ano, já tem registros anteriores por tráfico de drogas e, segundo a polícia, tem envolvimento com uma facção criminosa que atua naquela região do bairro Vila Nova. Caso seja condenado, ele pode cumprir medida socioeducativa por até três anos. 

 
 
 
 
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