SEGURANÇA JÁ

Menino de nove anos morreu por bala perdida em meio à guerra do tráfico em Porto Alegre 

Adryan da Rosa seguia para um culto com a avó e uma irmã quando se viu em meio a um tiroteio, na zona leste 

16/04/2017 - 17h50min | Atualizada em 16/04/2017 - 17h50min
Menino de nove anos morreu por bala perdida em meio à guerra do tráfico em Porto Alegre  Renato Dornelles/DG
Crime ocorreu na Rua Guaíba, que amanhece deserta no domingo Foto: Renato Dornelles / DG  

A expectativa pela chegada da Páscoa foi brutalmente interrompida na véspera para o menino Adryan Joaquim Rolim da Rosa, de nove anos, morador do bairro Lomba do Pinheiro, na zona leste de Porto Alegre. Ele foi morto no sábado, por uma bala perdida, quando seguia com a avó e uma irmã para um culto.

Adryan chegou a ser socorrido até uma Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) próxima, mas não resistiu ao ferimento. O crime aconteceu no início da noite na Rua Guaíba, na altura da Parada 12 da Lomba do Pinheiro. 

Adryan, a avó e a irmã seguiam a pé para um salão do Reino das Testemunhas de Jeová. Vestindo um terno e com gravata, o menino teria parado em um bar para comprar um doce. No momento em que saía do estabelecimento, duas motos, com dos homens cada, passaram pelo local atirando. 

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O alvo dos atiradores, de acordo com testemunhas, teria se refugiado bem próximo de Adryan e escapado ileso, enquanto que o menino acabou baleado na cabeça. Ele foi levado à UPA por moradores da região.

— No caminho, eles sentiram que sua pulsação estava ficando muito fraca — disse, neste domingo, uma familiar do menino que pediu para não ser identificada.

Medo constante

O pedido da familiar é reflexo do medo que praticamente todos os envolvidos, direta ou indiretamente, sentem em relação ao possível motivo do tiroteio que resultou na morte de um inocente.

— As pessoas não querem falar quem era o alvo por que temem represálias. Os conflitos por ali são constantes, pois o tráfico na Parada 12 é dominado por uma facção e, nas proximidades, tem um grupo rival disputando os territórios — explica o titular da 1ª Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa, delegado Rodrigo Reis, responsável pelas investigações do caso.

Conforme o policial, casos como o de Adryan não são raros naquele bairro. Em janeiro, na altura da Parada 13, na tentativa de matar um rival, dois homens e um adolescente acabaram acertando um tiro no peito de um menino de 11 anos.

Os três já foram identificados. Os dois adultos estão presos, e o adolescente, internado.

— Daquele vez, felizmente, o menino atingido sobreviveu. Nessa guerra, quando eles vêm para matar alguém, atiram a esmo não querendo saber quem está na volta — afirma o delegado.

"Eu vi o fogo saindo da arma"

A avó do menino, que pede para não ser identificada, viveu todo o drama que resultou na morte do neto.

— Eu vi o fogo saindo da arma — conta.

Ao lado de uma das irmãs de Adryan, a idosa viu quando uma moto, com um homem portando uma arma longa na carona, se aproximou, efetuando os disparos.

— Vi uma moto, mas minha neta viu duas. Assisto aos noticiários e vejo essas coisas acontecerem, mas jamais imaginei que iria ocorrer com a gente — conta.

Adryan, de acordo com a avó, era uma criança alegre, obediente e sempre prestativa. Vizinhos o descrevem como uma criança calma, que vivia brincando no pátio e que só saía de casa para ir à escola ou aos cultos.

O enterro aconteceu em cerimônia restrita a familiares, ontem à tarde, no Cemitério Jardim da Paz, na Capital.

 
 
 
 
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