Feminicídio

Polícia investiga mãe por assassinato de filha em Santa Cruz do Sul

Francine Sins Matias da Silva, 13 anos, foi morta no feriado de Páscoa por ciúmes, afirma delegada

21/04/2017 - 12h32min | Atualizada em 21/04/2017 - 20h04min
Polícia investiga mãe por assassinato de filha em Santa Cruz do Sul Reprodução / Facebook/Facebook
Reviravolta no caso ocorreu após depoimento de padrasto Foto: Reprodução / Facebook / Facebook  

A mãe da adolescente Francine Matias da Silva Sins, 13 anos, encontrada morta em um matagal no distrito de Rio Pardinho, em Santa Cruz do Sul, no Vale do Rio Pardo, será indiciada por feminicídio (quando a motivação envolve violência doméstica ou discriminação de gênero) qualificado por asfixia e por oferecer recompensa pela morte. Geni Sins, 54 anos, foi presa por meio de mandado de prisão preventiva, na madrugada desta sexta-feira.

O padrasto Ronaldo Santos, 30 anos, que foi detido na quinta-feira como suspeito de ter executado o crime, também será indiciado por feminicídio com as mesmas qualificadoras e por estupro de vulnerável.

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O assassinato ocorreu na Sexta-feira Santa, quando a menina saiu com o padrasto de moto. O corpo de Francine foi encontrado pela Brigada Militar na manhã de sábado caído ao lado de uma árvore. O local, de difícil acesso, fica dois quilômetros distantes de onde ela morava com a mãe e Ronaldo.

Local do crime fica dois quilômetros distantes de onde ela morava com a mãe e Ronaldo Foto: Bruno Pedry / Gazeta do Sul

Segundo a delegada Lisandra Carvalho, da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente de Santa Cruz do Sul, o padrasto confessou em depoimento que matou a adolescente a pedido de Geni e que, em troca, recebeu dinheiro para terminar de pagar uma moto.

Com base na declaração de Ronaldo, a polícia suspeita que a motivação do crime tenha sido ciúmes. Ele relatou que havia iniciado um relacionamento com a adolescente há cerca de um ano e que Geni suspeitava do suposto envolvimento dos dois. A mãe, por sua vez, nega participação no crime.

— Nós estranhamos o comportamento da mãe durante a investigação. Logo que a menina saiu de casa, a mãe movimentou a polícia e deu a entender que já tinha a filha como morta — disse Lisandra.

De acordo com a delegada, nenhum familiar havia procurado a polícia anteriormente para denunciar os abusos do padrasto. Uma professora da adolescente que conversou com a reportagem de Zero Hora no último fim de semana descreveu Francine como uma menina tímida e estudiosa.

— Ela era um exemplo em todos os sentidos. Meiga, dedicada, prestativa. Ajudava os colegas que não tinham o mesmo conhecimento, mesmo sendo muito tímida. Tinha notas boas em todas as matérias — contou a professora Mercedes Baumgarten.

O inquérito policial deve ser concluído em 10 dias. A delegada aguarda apenas a conclusão da necropsia , para confirmar as causas da morte, e espera ouvir mais testemunhas. Um exame de DNA será realizado para apurar se houve estupro antes do assassinato.


Ronaldo Santos, 30 anos, foi detido na quinta-feira como suspeito de ter executado o crime Foto: Maurício Cieibiz / Gazeta do Sul

Relacionamento familiar

Geni, Ronaldo e Francine moravam em uma zona rural de Santa Cruz do Sul onde a comunicação é precária. Familiares e pessoas da comunidade percebiam que a adolescente era apegada ao padrasto, mas não imaginavam que poderia estar ocorrendo algum tipo de abuso. O casal se relacionava há oito anos, embora Ronaldo fosse sobrinho de Geni e primo da enteada.

Ainda não há confirmação se a mãe tinha conhecimento da relação íntima entre o seu companheiro e a sua filha ou se apenas tinha ciúmes. Ronaldo contou à polícia que Geni já havia oferecido dinheiro para que ele matasse a enteada no ano passado.

— Vamos aprofundar essa questão para saber se a mãe tinha conhecimento de fato da relação. É difícil de se fazer prova, pode ser que ela não tenha contado para ninguém (que sabia do relacionamento) e esteja só no íntimo dela. Não era algo escancarado, mas gerava desconfiança (em pessoas da comunidade) — esclareceu a delegada.

 
 
 
 
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