Exame criminológico

Caso Nardoni: madrasta tem condições de ir para semiaberto, aponta laudo psicológico

Condenada pela morte de Isabela Nardoni, em 2008, Anna Carolina Jatobá pede à Justiça a progressão ao regime semiaberto

Por: Zero Hora
19/06/2017 - 12h17min | Atualizada em 19/06/2017 - 12h17min
Caso Nardoni: madrasta tem condições de ir para semiaberto, aponta laudo psicológico Reprodução/Agencia RBS
Isabella Nardoni, de cinco anos, foi morta em 29 de março de 2008  Foto: Reprodução / Agencia RBS  

O exame criminológico de Anna Carolina Jatobá indicou que a madrasta condenada pela morte da menina Isabela Nardoni, em 2008, tem condições para progredir do regime fechado ao semiaberto. Conforme reportagem exibida no programa Fantástico, da TV Globo, o laudo psicológico de Anna Carolina apontou que a possibilidade de que ela volte a cometer o mesmo crime é "nula".

Conforme o Ministério Público (MP), Anna Carolina bateu na menina dentro do carro e, no apartamento da família, apertou o pescoço de Isabela até provocar uma asfixia. Em seguida, o pai, Alexandre Nardoni, jogou a filha desmaiada pela janela do imóvel localizado no sexto andar do prédio. O MP sustenta que o casal queria simular um acidente. Alexandre a Anna Carolina alegam que outra pessoa cometeu o crime.

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Com os 606 dias descontados da pena pelo trabalho na prisão, Anna Carolina cumpriu nove dos 26 anos e oito meses de condenação — o equivalente dois quintos da pena. Em abril, a madrasta ingressou com pedido de progressão de regime. Para avaliar o pedido, o MP solicitou a realização de laudos psicológico e psiquiátrico da condenada.

Conforme o exame criminológico de 11 páginas, Anna Jatobá tem nível intelectual "acima da média", "possui valores éticos e morais" e "é capaz de manter controle sobre sua agressividade e impulsividade". Além disso, o documento apontou que ela desempenha as tarefas na prisão de "forma satisfatória" e nunca cometeu "faltas disciplinares". Além disso, apesar de ter "afetividade rasa", a mulher está "lúcida" e "amistosa".

"Não sei o que aconteceu. Meu marido levou ela para o apartamento e desceu pra me pegar com as crianças. Quando subimos, já havia acontecido. Não me sinto culpada nem arrependida, porque sou inocente", afirmou Anna Carolina no exame.

O MP deu parecer favorável à progressão de regime e a decisão cabe ao Judiciário. Se passar para o semiaberto, Anna Carolina poderá trabalhar durante o dia, sendo obrigada a voltar para dormir na prisão, à noite.

Dentro da cadeia, conforme o Fantástico, Anna Carolina fez cursos profissionalizantes de panificação e eletricista. Hoje, ela trabalha em uma oficina de costura. Ao exame criminológico, a mulher afirmou que quer estudar moda e abrir uma confecção própria.

"Gostaria que um dia a verdade aparecesse e minha vida pudesse voltar ao normal. Gostaria de desenvolver meu lado espiritual e ajudar as pessoas", afirmou no documento.

Anna Carolina ainda disse que quer continuar casada com Nardoni quando deixar a prisão. Nos nove anos em que esteve presa, ela recebeu a visita dos pais e dos dois filhos que teve com o marido, de 10 e 12 anos. A mulher está presa em Tremembé, no interior de São Paulo.

Também preso, Alexandre Nardoni poderá pedir a progressão de regime em julho de 2019. No entanto, como trabalha na restauração de carteiras escolares, o condenado poderá solicitar o benefício antes do prazo inicial. Ele foi condenado a 30 anos e dois meses de prisão.

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