Segurança Já

"Quando me levaram, pensei que iriam me matar", diz empresário sequestrado em Alvorada

Bando manteve homem refém por seis horas

18/06/2017 - 17h20min | Atualizada em 18/06/2017 - 17h57min
"Quando me levaram, pensei que iriam me matar", diz empresário sequestrado em Alvorada Ronaldo Bernardi/Agencia RBS
Cativeiro ficava na Rua 47 do bairro Umbu, em Alvorada Foto: Ronaldo Bernardi / Agencia RBS  

O empresário sequestrado às 21h30min de sábado, em Alvorada, estava lavando os espetos de churrasco quando percebeu a presença de quatro pessoas vestindo toucas-ninjas e roupas da polícia. Eram os criminosos que acabaram de chegar na sua quadra de futebol e que, mais tarde, ameaçariam entregar para a sua mãe um pedaço da sua orelha e da sua perna caso não recebessem R$ 150 mil pelo resgate.

— Vieram direto em mim, prenderam as minhas mãos, taparam meus olhos e foram me levando escada abaixo. Pensei que era um assalto e que iriam me deixar na escada e fugir, mas me colocaram no carro. Quando me levaram, pensei que iriam me matar — disse o empresário de 29 anos. 

Leia mais
Corpo com marcas de tiros é encontrado no bairro Guajuviras, em Canoas
Jovem é sequestrado e assassinado junto com adolescente em Porto Alegre
Dois homens são executados a tiros na RS-020, em Gravataí

Dentro de um Peugeot 207 branco, mais um integrante do bando os esperava para dar seguimento ao sequestro que se estendeu até as 3h30min. A vítima foi levada espremida, no banco de trás, entre três criminosos com duas armas encostadas nas costelas e, outra, na cabeça. No trajeto até o cativeiro, na Rua 47 do bairro Umbu, ainda em Alvorada, ao tempo em que tentavam tranquilizá-lo dizendo que se tratava "apenas de um sequestro" e que tudo iria ficar bem, alertavam que dar um tiro na cabeça do empresário "não custaria nada" para eles caso a polícia fosse acionada por seus familiares. 

Já no cativeiro, ele foi colocado sentado em uma cadeira. A camiseta que cobria seus olhos foi retirada e trocada por uma fita enrolada mais de cinco vezes em sua cabeça. O passo seguinte foi deitá-lo em uma cama e amarrar seu braço esquerdo com uma corrente. Nesta posição, o empresário permaneceu até a chegada da Brigada Militar.

— Eu não vi nenhum deles. Não vi nada em momento algum. Só conseguia ver a luz amarela da lanterna deles.

De tempos em tempos, o grupo perguntava se estava tudo bem com a vítima e voltava a repetir que queria apenas o dinheiro. Mencionaram, inclusive, que pediriam R$ 150 mil pelo resgate, para poder baixar a exigência para R$ 100 mil.

— Conversando com o pessoal depois, vi que eu estava melhor no cativeiro do que a minha família em casa — disse o sequestrado, referindo-se ao estado emocional.

Quando a polícia chegou e se identificou, o empresário, ainda vendado, não acreditou que estava a salvo.

—Pensei que os sequestradores estivessem me mentindo, embora a luz da lanterna não fosse da mesma cor. Essa era branca. Só quando vi os policiais que fiquei aliviado — contou.

Passado o susto, o alvoradense garante que não pensa em mudar de cidade, apenas rever os dispositivos de segurança do local. Além do sequestro, aproximadamente R$ 400 foram roubados do caixa da quadra de futsal.


 
 
 
 
Zero Hora No jornal Zero Hora você encontra as últimas notícias sobre esportes, economia, política, moda, cultura, colunistas e mais.