Corrupção

Investigações no STF já atingem 18 ministros da era petista 

São quatro no período Lula, dez no de Dilma e outros quatro comuns aos dois governos. Dados são de levantamento do jornal O Estado de S.Paulo

Por: Estadão Conteúdo
16/10/2016 - 11h19min | Atualizada em 16/10/2016 - 14h38min
Investigações no STF já atingem 18 ministros da era petista  Carlos Humberto/SCO/STF
Foto: Carlos Humberto / SCO/STF

Investigações que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF) indicam que ministros dos governos Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010) e Dilma Rousseff (2011-2016) são suspeitos de envolvimento em esquemas que movimentaram pelo menos R$ 1,25 bilhão de forma ilegal, por meio de irregularidades no uso do dinheiro público e propinas pagas por empresas privadas durante o exercício do cargo.

O dado faz parte de um levantamento feito pelo jornal O Estado de S.Paulo no Supremo que mostra que 18 ministros estão sob investigação de desvio de recursos nas gestões petistas — quatro no período Lula, dez no de Dilma e outros quatro comuns aos dois governos. Foram considerados os já condenados (1), réus (2) e investigados (15) — neste último caso, o número engloba os processos na Corte e os remetidos a outras instâncias pelo STF. Foram pesquisados os nomes de 167 ex-ministros nas duas gestões.

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Esses números, mesmo após o impeachment de Dilma, podem aumentar com as próximas etapas da Operação Lava-Jato e a possível revelação de mais envolvidos no esquema de corrupção na Petrobras. Alguns são citados em delações, mas ainda não são investigados ou viraram réus. 

Além dos ministros, os ex-presidentes Lula e Dilma também aparecem em investigações. O próprio Lula é réu em três ações penais abertas nos últimos dois meses e acusado de organização criminosa, corrupção, lavagem de dinheiro e obstrução da Justiça. Dois casos correm na Justiça Federal em Brasília e outro em Curitiba. 

Dilma também é alvo de inquérito no STF por tentar atrapalhar o andamento da Lava-Jato. Segundo os investigadores, ela nomeou Lula para a Casa Civil unicamente para dar-lhe o direito ao foro privilegiado.

Não foram incluídos nesse levantamento os ex-ministros suspeitos de cometer irregularidades fora do cargo ou ao exercer outras funções — caso de outros gestores da era petista que enfrentam processos no STF. 

A senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), ex-ministra da Casa Civil de Dilma, é ré em ação que investiga o recebimento de recursos da Petrobrás, no valor de R$ 1 milhão, para financiar sua última campanha ao Senado. 

O ex-deputado federal Ricardo Berzoini (PT-SP), que passou pelos Ministérios da Previdência e do Trabalho no governo Lula, é suspeito de, posteriormente, na condição de presidente do PT, pedir 1% de propina sobre os contratos da Andrade Gutierrez com o governo federal. Berzoini foi incluído no inquérito do "quadrilhão", o principal da-Lava Jato.

No atual governo, Michel Temer nomeou seis ministros que eram investigados no Supremo — suspeitos de envolvimento em crimes eleitorais, falsidade ideológica, quadrilha e com o esquema de corrupção na Petrobrás. Até o momento, três já deixaram o cargo. 

*Estadão Conteúdo

 
 
 
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