Política

No TSE

Para Cármen Lúcia, processo contra chapa Dilma-Temer não terminará neste ano

Em entrevista ao programa Roda Viva, a presidente do STF lamentou o momento que o país vive quando foi provocada a fazer uma avaliação sobre o governo de Dilma Rousseff

Estadão Conteúdo

A presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Cármen Lúcia, afirmou, na noite de segunda-feira, que o processo contra a chapa Dilma Rousseff-Michel Temer em 2014 não deve terminar neste ano no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Uma cassação da chapa ainda em 2016 causaria a convocação de eleições gerais no país.

– Não componho mais o TSE, eu acho difícil (encerrar o julgamento em 2016) porque a instrução de um processo como esse é alongada – disse a ministra, em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura.

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Cármen Lúcia lamentou o momento que o país vive quando foi provocada a fazer uma avaliação do governo de Dilma Rousseff.

– Eu acho que foram vários governos, na verdade. O início do primeiro governo era uma coisa e as condições econômicas se deterioram muito. Lamento muito por tudo que passamos, nunca acho que haja para os melhores ou piores governos responsabilidade de uma pessoa sozinha – afirmou.

A ministra comentou que quando pediu para ser chamada de "presidente", e não de "presidenta", quando foi eleita para comandar o STF em agosto, não estava criticando a forma usada por Dilma Rousseff na Presidência da República.

– Eu acho que Dilma optou por isso porque era realmente uma marca de uma sociedade tão preconceituosa quanto a nós, mulheres, de demarcar um espaço que chamasse atenção.

Para a presidente do STF, se o cargo descrito em lei é o de "presidente", o titular que o ocupa não pode alterá-lo.

Perguntada se a Constituição Federal foi "rasgada" em algum episódio recente no Congresso Nacional ou na Justiça, Cármen Lúcia afirmou que não tem essa interpretação.

– Para isso temos sempre a via do Poder Judiciário para que se ela (a Constituição), por acaso for rasgada, dá sempre um jeito, alguém vai remendar.

A ministra negou ter interesse em se candidatar a um cargo político.

– Não tenho essa vocação, só sei mexer com processo. Fui advogado, sou juíza e professora e só isso – declarou.


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