Operação Lava-Jato

Para defesa, prisão de Cunha é "surpreendente"

Segundo o criminalista Ticiano Figueiredo, pedido de prisão do ex-presidente da Câmara tramitou por seis meses no STF sem que fosse aceito

Por: Estadão Conteúdo
19/10/2016 - 15h13min | Atualizada em 19/10/2016 - 15h51min
Para defesa, prisão de Cunha é "surpreendente" Marcelo Camargo/Agência Brasil
Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil

Um dos advogados do deputado cassado Eduardo Cunha, o criminalista Ticiano Figueiredo disse, nesta quarta-feira, considerar "surpreendente" o decreto da prisão preventiva do peemedebista no início da tarde uma vez que, segundo ele, o mesmo pedido tramitou por seis meses no Supremo Tribunal Federal sem que fosse aceito.

— O Supremo passou seis meses com o pedido de prisão para decidir em relação a Eduardo Cunha e não prendeu porque não entendeu que não havia nenhum dos requisitos necessários e aí surpreendentemente Moro, com uma semana que o processo está na mão dele, decreta prisão sem qualquer fato novo — disse.

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Segundo ele, não houve qualquer fato novo que motivasse a decisão do juiz Sergio Moro. 

— Se a Corte suprema do país passou seis meses com o pedido de prisão na mão, não prendeu porque entendeu que não havia requisitos, agora Moro, um juiz de primeiro grau decreta prisão sem qualquer fato novo. Isso tem que ser levado em consideração — disse.

Com críticas à atuação do juiz da 13ª Vara Criminal de Curitiba, Sergio Moro, responsável pela decretação da prisão preventiva, Figueiredo disse que vai analisar o caso para "combater da melhor forma". 

— É a famosa política que está se criando no país de prender antes de trânsito em julgado de processo iniciado, que sequer iniciou lá (na 13ª Vara Criminal) já que a denúncia foi recebida por Moro recentemente. Não há fato novo que ensejasse essa prisão. Então vamos combater da melhor maneira — disse.

Ao mandar prender o deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o juiz federal Sergio Moro apontou para o "caráter serial dos crimes" do peemedebista. O juiz usou como fundamentos do decreto de prisão de Eduardo Cunha "risco à ordem pública e à instrução do processo" — o ex-deputado é acusado de manter contas secretas na Suíça abastecidas por propina do esquema da Petrobras.

Enquanto Cunha era conduzido de avião para Curitiba, a página oficial do ex-deputado no Facebook publicou um pronunciamento em que classifica a prisão de "uma decisão absurda, sem nenhuma motivação".

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*Estadão Conteúdo

 
 
 
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