Após críticas

Maranhão admite equívoco ao anular impeachment e quer disputar Senado em 2018

Primeiro vice-presidente da Câmara avaliou que errou politicamente, porque sua decisão foi contra o que a maioria da Casa queria

Por: Estadão Conteúdo
17/01/2017 - 17h11min | Atualizada em 17/01/2017 - 17h11min
Maranhão admite equívoco ao anular impeachment e quer disputar Senado em 2018 Gustavo Lima/ Câmara dos Deputados/
Foto: Gustavo Lima/ Câmara dos Deputados  

Primeiro vice-presidente da Câmara, o deputado Waldir Maranhão (PP-MA) admitiu pela primeira vez, em entrevista à Agência Estado, que cometeu um "equívoco" ao anular a votação do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) em 2015. Prestes a deixar o cargo na Mesa Diretora após um conturbado mandato, ele diz que seu foco agora será viabilizar sua candidatura ao Senado em 2018.

— Dei minha contribuição ao Parlamento, ainda que tenha cometido equívocos — disse Maranhão. 

Na avaliação dele, o principal erro foi ter anulado, em 9 de maio do ano passado, a votação da Câmara do dia 17 de abril que aprovou o impeachment de Dilma por 367 votos a 137. 

— Foi um equívoco do ponto de vista político, jamais do ponto de vista jurídico — disse o deputado, que acabou revogando a anulação um dia depois, após pressão política.

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O 1º vice-presidente da Câmara avaliou que errou politicamente, porque sua decisão foi contra o que a maioria da Casa queria.

— Fiz por convicção política, para o momento. Mas a Casa queria o impeachment. Fui contra de início (revogar a anulação), mas depois acatei o que a Casa queria — afirmou. — A política é feita pelo fato e tempo. O fato foi a minha decisão. E o tempo vai mostrar que o país saiu da crise — acrescentou.

Maranhão reconheceu que foi alvo de muitas críticas de outros parlamentares por atitudes como a anulação da votação do impeachment, mas acredita que, passado o tempo, as pessoas o entenderam. 

— Muitos dos que me criticaram hoje convivem comigo e conhecem minha índole. Sou produto do povo, sobretudo, do povo mais pobre — disse o parlamentar maranhense.

Quando assumiu interinamente a presidência da Câmara, após o afastamento do hoje deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), em 5 de maio de 2015, Maranhão enfrentou resistência e protestos de integrantes vários partidos, que o acusavam de não ter condições de comandar a Casa. A questão só foi resolvida após a renúncia de Cunha e a eleição de Rodrigo Maia (DEM-RJ) para presidência da Câmara.

Senado

Investigado pela Operação Lava-Jato, o deputado do PP diz que vai trabalhar para se eleger senador pelo Maranhão em 2018 na chapa do governador Flávio Dino (PCdoB), que tentará reeleição. 

— A minha disposição é essa: disputar o Senado. Vou tentar mostrar que sou viável na base — disse. 

A vaga foi prometida por Dino em troca do voto do parlamentar contra o impeachment de Dilma Rousseff.

Na eleição de 2018, quando duas vagas para o Senado estarão em disputa, Maranhão deve ter como adversários a ex-governadora Roseana Sarney (PMDB), filha do ex-presidente José Sarney (PMDB), o ex-governador José Reinaldo (PSB) e o algum indicado do senador Edison Lobão (PMDB), que não deve disputar reeleição. Outro adversário deve ser o senador João Alberto (PMDB), que pretende tentar se reeleger.

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*Estadão Conteúdo

 
 
 
 
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