Brasília

Rosso admite desistir da presidência da Câmara se não garantir apoios

"Não tenho nenhuma dúvida que essa é a eleição mais difícil da história da Câmara", avaliou o candidato ao comando da Casa

Por: Estadão Conteúdo
10/01/2017 - 18h05min | Atualizada em 10/01/2017 - 18h05min
Rosso admite desistir da presidência da Câmara se não garantir apoios Luis Macedo / Câmara dos Deputados / Divulgação/Divulgação
Rogério Rosso (PSD-DF) sofre pressões de colegas de partido para desistir da disputa Foto: Luis Macedo / Câmara dos Deputados / Divulgação / Divulgação  

Candidato à presidência da Câmara, o deputado Rogério Rosso (DF), admitiu, nesta terça-feira, que pode abrir mão de sua candidatura se, quando estiver mais próximo do pleito, avaliar que não conseguiu se viabilizar politicamente. Ele ressaltou que hoje sua candidatura está mantida. 

— Temos ainda 80% da campanha. Como política é igual a nuvem, nós imaginamos que a cada dia teremos surpresas. Não tenho nenhuma dúvida que essa é a eleição mais difícil da história da Câmara. Aquilo que parece, não é — declarou.

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Apesar de parte de seu partido pressioná-lo a desistir, Rosso diz que da mesma forma que pode desistir, pode convencer outro a abrir mão da disputa. 

— O que está em jogo é uma coisa muito séria, que é a presidência da Câmara dos Deputados, que por essa configuração atípica dos próximos anos, será a vice-presidência da República. Não pode ser um vale-tudo, ter uma candidatura para marcar posição. A gente vai enfrentar matérias aqui que vão exigir 308 ou mais votos. A gente tem de evitar um racha. Esse é meu espírito: evitar qualquer tipo de racha — afirmou.

Minutos antes do lançamento da candidatura de seu aliado, o líder do PTB, Jovair Arantes (GO), Rosso disse que se dá bem com o deputado goiano, que mais para frente podem "somar" votos com ele, mas que Jovair também pode "ter o desprendimento" de desistir. 

— O projeto pessoal, e não falo do Jovair, quando você vai muito em cima dele e desconsidera consensos, pode ser um projeto muito "self" — disse, em uma referência indireta a Rodrigo Maia (DEM-RJ), candidato à reeleição. 

Rosso insistiu que não há ciência exata na política e não quis revelar quando vai tomar a decisão de "somar" apoio a Jovair ou vice-versa.

Rosso disse que tem o apoio de "vários deputados de vários partidos" e afirmou que a Casa tem a tradição de não ter unanimidades nas bancadas. Ele não revelou quantos votos teria se a eleição fosse hoje, mas acredita que teria número suficiente para disputar um segundo turno. O parlamentar admitiu que tem mantido mais conversas telefônicas com os "eleitores-deputados".

O líder do PSD defendeu que não haja formação de blocos partidários este ano para a composição dos cargos da Casa. 

— Não ter blocos é um caminho, se respeita a proporcionalidade e o tamanho das bancadas — comentou. 

Ele, no entanto, acredita que a oposição se juntará no próximo biênio em um bloco único.

Rosso voltou a repetir que não tem interesse em desistir para assumir a liderança do governo na Câmara e reafirmou que o presidente Michel Temer não pretende interferir na disputa interna. Ele ressaltou que sua questão com Maia não é pessoal, se restringe a impossibilidade legal dele concorrer mais uma vez ao cargo, e sugeriu que Maia tivesse "um gesto de grandeza", abandonasse o projeto pessoal e desistisse. 

— Projeto de governo não é — alfinetou.

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*Estadão Conteúdo

 
 
 
 
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