Peculiaridades da investigação

De Acarajé a Leviatã: 10 fases da Lava-Jato com nomes inusitados

Apenas nove das 38 etapas não foram batizadas

Por: Zero Hora e Estadão Conteúdo
16/02/2017 - 18h25min | Atualizada em 16/02/2017 - 18h25min

Contabilizando 38 fases e diversos desdobramentos, a Lava-Jato surpreende pelos nomes inusitados de suas etapas. Apenas nove fases não foram batizadas. Segundo a Polícia Federal, responsável pela condução das investigações, não existe critério para a denominação. "A escolha dos nomes das operações não surge de nenhum procedimento especial. O delegado presidente do respectivo inquérito escolhe o nome de acordo com a sua conveniência", informou a assessoria. 

Confira alguns dos nomes e relembre o andamento da operação:

7ª fase - Juízo final (14/11/2014)

O nome foi dado para sugerir a dimensão desta etapa da operação, que foi a que teve mais mandados de prisões — um total de 25 — entre temporárias e preventivas. Foram presos os primeiros empreiteiros e operadores do esquema de distribuição de propinas obtidas mediante contratos com a Petrobras.

9ª fase - My Way (05/02/2015) 

Barusco é um dos delatores da Lava-Jato Foto: Geraldo Bubniak / Estadão Conteúdo

A fase foi batizada de "My Way" (Meu Jeito) em referência a como um dos delatores do esquema, Pedro Barusco, se referia a Renato Duque. Apesar da homenagem, Duque não foi alvo dos mandados cumpridos nesta fase.

17ª e 18ª fases - Pixuleco (03 e 13/08/2015) 

José Dirceu foi preso preventivamente Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil

O nome das fases faz referência ao termo usado por João Vaccari Neto para falar sobre o dinheiro cobrado de empreiteiras do cartel que atuava na Petrobras. A PF prendeu preventivamente o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu (governo Lula), seu irmão, Luiz Eduardo de Oliveira e Silva, que era sócio na empresa de consultoria do ex-ministro, e seu ex-assessor Roberto Marques. Na Pixuleco 2, o alvo foi o ex-vereador petista Alexandre Romano, preso temporariamente e apontado como novo operador de propina ligado ao ex-ministro José Dirceu.

23ª fase: Acarajé (22/02/2016)

A explicação, segundo a Polícia Federal, é que o nome da tradicional comida baiana era utilizado por alguns investigados para se referir a dinheiro em espécie. Um dos alvos é o publicitário João Santana, que foi marqueteiro das campanhas da presidente Dilma Rousseff e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A operação decretou a prisão temporária dele e de sua mulher, Mônica.

26ª fase: Operação Xepa (22/03/2016)

João Santana e Mônica Moura foram presos preventivamente na Operação Acarajé Foto: Guilherme Artigas / BRAZIL PHOTO PRESS

A 26ª fase da Lava-Jato, denominada Xepa, é um desdobramento da Operação Acarajé, a 23ª fase, e apura um esquema de contabilidade paralela pela construtora Odebrecht, que pagava vantagens indevidas a terceiros, vários deles com vínculos diretos ou indiretos com o poder público. Entre os beneficiados estão o marqueteiro do PT João Santana e sua esposa, Mônica Moura. Não foram divulgadas informações à origem do nome.

28ª fase: Operação Vitória de Pirro (12/04/2016)

Gim Argello foi condenado a 19 anos de prisão Foto: DIDA SAMPAIO / ESTADÃO CONTEÚDO

O ex-senador Gim Argello (PTB-DF) é preso preventivamente. Esta fase apura indícios de que Argello atuou para evitar que empreiteiros fossem convocados para depor sobre irregularidades na Petrobras, em 2014, em uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) instaurada no Senado Federal e em uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) no Congresso — ele integrava ambas. Para isso, segundo a investigação, Argello teria cobrado propinas de R$ 5,3 milhões. O nome da operação faz alusão ao rei Pirro, da Grécia Antiga, que, apesar de ter derrotado os romanos em uma batalha, sofreu danos irreparáveis, a ponto de a vitória se mostrar inútil.

32ª fase: Caça-Fantasmas (07/07/2016)

O principal alvo dessa fase da operação, Edson Paulo Fanton, era representante do Brasil em um banco clandestino que abria contas ilícitas. O sobrenome dele soa como ¿phantom¿, que significa fantasma em inglês.

33ª fase: Operação Resta Um (02/08/2016)

O foco era a Construtora Queiroz Galvão, a última grande empresa investigada por formação de cartel junto à Petrobras. A Queiroz Galvão é suspeita de ter pago R$ 10 milhões ao ex-presidente do PSDB Sérgio Guerra, que morreu em 2014. Os executivos ligados à construtora Ildefonso Colares Filho e Othon Zanoide Moraes Filho foram presos. Investigação cita ainda repasse de valores por meio de caixa 2 da empreiteira, via Consórcio Quip – do qual a empreiteira era a majoritária –, para a campanha à reeleição do ex-presidente Lula em 2006.

37ª fase: Operação Descobridor (17/11/2016)

O ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral já é réu em quatro processos Foto: JOSE LUCENA / ESTADÃO CONTEÚDO

Etapa mira em irregularidades nas obras no Complexo Petroquímico do Rio (Comperj), complexo de Manguinhos e reforma do Maracanã. Investigação atribui ao ex-governador do Rio Sérgio Cabral (PMDB) o recebimento de R$ 2,7 milhões em propinas nas obras do Comperj. O nome da operação faz uma alusão ao nome do descobridor do Brasil, Pedro Alvares Cabral, já que o principal alvo é Sérgio Cabral, que foi preso.

38ª fase: Leviatã (16/02/2017)

Segundo a PF, o nome da operação faz referência à obra O Leviatã. Nela, o filósofo político Thomas Hobbes afirmou que o "homem é o lobo do homem", comparando o Estado a um ser humano artificial criado para sua própria defesa e proteção, pois se continuasse vivendo em Estado de Natureza, guiado apenas por seus instintos, não alcançaria a paz social. Entre os alvos da operação estão os principais envolvidos em um esquema de repasse de valores ao filho de um senador e um ex-senador. Segundo a Folha de S.Paulo, os alvos das buscas seriam Márcio Lobão, filho de Edison Lobão (PMDB-MA), e o ex-senador Luiz Otávio de Oliveira Campos, do Pará.

A lista completa com as fases da Lava-Jato pode ser consultada no site da PF.

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*com informações da Polícia Federal e do Estadão Conteúdo

 
 
 
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