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"Eu errei ao promover a desoneração", admite Dilma em Genebra

De acordo com a ex-presidente, em vez de causar o aumento dos investimentos, a política fiscal adotada ampliou os lucros dos empresários

Por: Estadão Conteúdo
13/03/2017 - 08h26min | Atualizada em 13/03/2017 - 08h29min
"Eu errei ao promover a desoneração", admite Dilma em Genebra EVARISTO SA/AFP
Foto: EVARISTO SA / AFP  

A presidente cassada Dilma Rousseff admitiu que cometeu um "grande erro" ao promover a desoneração fiscal. Em Genebra, na Suíça, para participar de debates e seminários, a brasileira foi questionada se era capaz de assumir seus erros e se estava arrependida de alguma decisão que tomou enquanto governou o Brasil.

— Eu acreditava que, se eu diminuísse impostos, eu teria um aumento de investimentos — disse a ex-mandatária. — Eu diminuí e me arrependo disso. No lugar de investir, eles (os empresários) aumentaram a margem de lucro — afirmou.

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Segundo a petista, uma das acusações que lhe foram feitas é de ter mantido uma política fiscal "mais frágil". 

— Errei em uma coisa: tentamos fazer com que os investimentos fossem aumentados. Fiz uma grande desoneração, brutalmente reduzimos os impostos — disse. — Ali, eu cometi um grande erro. Acreditava que, se fizéssemos isso, eles iriam investir mais e a coisa seria melhor. Eu errei.

Uma parte das políticas de Dilma chegou a ser condenada na Organização Mundial do Comércio (OMC), como a redução de IPI para empresas locais. Sua avaliação, porém, é de que houve uma "subestimação das razões da crise econômica" enfrentada pelo país.

— Todos sabem que, a partir da metade de 2014, houve uma queda significativa dos preços das commodities. Esse movimento afetou a arrecadação do Brasil e a nossa balança comercial — disse a ex-presidente, lembrando as mudanças feitas na política monetária dos Estados Unidos no período e também o freio que sofreu a economia chinesa.

Sobre o aumento da inflação ao fim de seu governo, Dilma citou a ameaça de desabastecimento de água em São Paulo, mas negou que sua gestão tenha promovido uma "gastança".

— Numa crise, todos precisam pagar. Mas quem paga? Um pato de seis metros de altura foi colocado nas manifestações, dizendo: eu não pago o pato. Mas quem colocou o pato? O presidente da Fiesp. O que quer dizer isso? Eu não pago impostos. Eu só quero cortes e mais cortes — atacou Dilma.

Na visão da ex-presidente, o impeachment que sofreu ainda estaria ligado a propostas que ela tinha de elevar impostos. 

— Meu impeachment também foi por não pagar o pato, e o pato eram os impostos — disse. 

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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*Estadão Conteúdo

 
 
 
 
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