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O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), defendeu fortemente a mudança da legislação trabalhista, nesta quarta-feira, e, ao reclamar do excesso de regras para a relação entre patrão e empregado, sugeriu que a Justiça do Trabalho "não deveria nem existir". Contrariado com a proposta de reforma considerada "tímida" produzida pelo governo, Maia disse que a Câmara deve dar "um passo além" e até desagradar ao presidente Michel Temer.
– Apesar de o governo tentar nos convencer que devemos votar o texto que veio, eu acho que não. Acho que há temas em que precisamos avançar, como o trabalho intermitente e outras questões – disse Maia em evento na capital federal.
– Acho que há um consenso da sociedade que esse processo de proteção (do trabalhador) na verdade gerou desemprego, insegurança e dificuldades para os empregos brasileiros. Então nós precisamos ter a coragem de dizer isso – disse Maia.
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Com tom crítico acima do visto no governo, o presidente da Câmara defendeu que "o excesso de regras no mercado de trabalho gerou empregos de investidores brasileiros no exterior, não gerou nada no Brasil".
– Gerou 14 milhões de desempregados – resumiu.
Além das regras, Maia também disparou contra a Justiça trabalhista.
– Juízes tomando decisões das mais irresponsáveis quebraram o sistema de bar, restaurantes e hotel no Rio de Janeiro. O setor de serviço e de alimentação quebrou pela irresponsabilidade da Justiça do Trabalho no Rio – disse.
Por isso, destacou, foi preciso regulamentar temas curiosos como a gorjeta.
– Agora tivemos que aprovar uma regulamentação da gorjeta porque isso foi quebrando todo mundo pela irresponsabilidade da Justiça brasileira, da Justiça do Trabalho, que não deveria nem existir – disse Maia em evento na inauguração do novo escritório da agência de notícias Bloomberg em Brasília.
Certo de que a Câmara deverá adicionar itens à proposta de reforma trabalhista, Maia já diz que a Casa vai "desagradar" ao presidente Michel Temer.
– Infelizmente, o presidente Michel não vai gostar, mas acho que a Câmara precisa dar um passo além daquilo que está colocado no texto do governo.
Ainda sobre a agenda reformista, Maia disse a reforma da Previdência não tem temas polêmicos.
– Não são temas polêmicos. A aposentadoria rural não tem nada de polêmico – disse, ao defender a separação dos benefícios de prestação continuada do pagamento das aposentadorias rurais.
Sobre a regra de transição do atual sistema para o novo proposto, o deputado fluminense disse que "qualquer ponto de corte é polêmico" porque sempre quem estiver próximo, mas fora da transição reclamará.
*Estadão Conteúdo