Em visita a Washington

Brasil poderá eleger "figuras semelhantes a Trump" em 2018, diz Dilma

Ex-presidente citou o prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), e o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC) como postulantes ao Planalto

Por: Zero Hora
20/04/2017 - 10h00min | Atualizada em 20/04/2017 - 10h06min
Brasil poderá eleger "figuras semelhantes a Trump" em 2018, diz Dilma Wilson Dias/Agência Brasil
Foto: Wilson Dias / Agência Brasil  

A ex-presidente Dilma Rousseff voltou a afirmar que foi vítima de um "golpe parlamentar" e previu para os possíveis cenários da disputa ao Planalto, em 2018. Em visita a Washington, nos Estados Unidos, a petista reconheceu a possibilidade da vitória de um candidato de fora da política — um "outsider", como Donald Trump. 

— Há alguns anos, eu diria que é impossível (a vitória de um outsider). Agora, posso dizer que é muito possível. Na verdade, posso apontar algumas figuras semelhantes a Trump — avaliou Dilma em entrevista à coluna WorldView, do jornal Washington Post.

Como exemplo, a ex-presidente citou João Doria (PSDB-SP), empresário com pouco experiência na política que venceu a eleição para a Prefeitura de São Paulo a partir da imagem construída como homem de negócios — mesma origem política de Trump. Dilma também fez referência ao deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ), que já fez elogios públicos ao presidente norte-americano, como postulante ao Planalto. 

Leia mais
Dilma reage e diz que nunca autorizou caixa 2
Lista de Fachin: Dilma aparece em duas petições; assista aos vídeos
TSE pode retomar julgamento de chapa Dilma-Temer só no final de abril

De acordo com a ex-presidente, o Brasil está sob a influência de uma "tendência de direita" como ocorre nos Estados Unidos e na Europa. Dilma sustenta que as crises econômicas e o avanço da desigualdade alimentaram a raiva contra os políticos e impulsionaram a ascensão do populismo no mundo.

— Quando o governo se torna irrelevante, a política se torna irrelevante — afirmou. — Isso abre espaço para que os salvadores da pátria apareçam, para a política que apenas usa símbolos e marketing político e tem uma estratégia baseada no pós-verdade.

Além disso, a ex-presidente frisou a necessidade de novas eleições para substituir o governo "ilegítimo" de Michel Temer, sucessor da petista na presidência após o impeachment.

— Não há nenhum lado correto na história que não seja o lado democrático — disse ao Washington Post.

Impeachment

Aos 69 anos, Dilma afirma que foi vítima de uma precipitação tumultuada em meio à crise financeira mundial e do cinismo dos opositores políticos. A ex-presidente foi julgada por utilizar bancos estatais para financiar programas sociais sem a autorização do Congresso.

Em entrevista ao jornal, a petista, rebateu as acusações afirmando que as medidas permitiram retirar milhões de pessoas da pobreza. Dilma ainda reiterou que a sua relutância em negociar com políticos como o ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha, a transformaram em "uma mulher dura e insensível na política".

 
 
 
 
Zero Hora No jornal Zero Hora você encontra as últimas notícias sobre esportes, economia, política, moda, cultura, colunistas e mais.