Operação contra corrupção

PF sequestra R$ 3 milhões em bens de ex-diretor do Daer por corrupção

José Francisco Fogaça Thormann teria recebido recursos ilícitos por uma empresa de fachada por obras lançadas pelo órgão estadual e pelo Dnit

19/04/2017 - 10h18min | Atualizada em 19/04/2017 - 12h24min
PF sequestra R$ 3 milhões em bens de ex-diretor do Daer por corrupção Cláudio Fachel/Divulgação/Palácio Piratini
Arquiteto José Francisco Fogaça Thormann, em foto durante o período em que comandou o Daer Foto: Cláudio Fachel / Divulgação/Palácio Piratini  

A Polícia Federal realizou operação de combate à corrupção e à lavagem de dinheiro em Porto Alegre na manhã desta quarta-feira. Dois mandados de busca e apreensão foram cumpridos em uma residência e um escritório de advocacia.

A PF não divulgou os nomes dos suspeitos, mas a Rádio Gaúcha apurou que o alvo principal das investigações é o arquiteto José Francisco Fogaça Thormann, que comandou o Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer) entre 2011 e 2012 e que foi assistente da Diretoria de Infraestrutura Rodoviária do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit).

Leia mais
Ex-diretor do Daer teve viagem à Suíça paga por empresa subcontratada
Ex-diretor foi um dos pivôs de saída de Beto Albuquerque do governo Tarso

Segundo o delegado Alexandre Isbarrola, do Grupo de Repressão a Crimes Financeiros da Polícia Federal, as investigações começaram em 2014 a partir de apontamentos da Receita Federal. A polícia apura o recebimento de valores por parte do investigado entre os anos de 2008 e 2013. Os recursos foram pagos por três empresas que prestaram serviço aos dois departamentos. 

– A investigação constatou a utilização de uma empresa de fachada, com sócios laranjas, que era administrada pelo investigado. A empresa recebeu dinheiro de empresas que prestaram algum tipo de serviço para o Daer e para o Dnit quando essa pessoa exerceu funções lá – informa o delegado.

Além das buscas, a Justiça Federal determinou o sequestro de dois imóveis em Porto Alegre e um em Brasília, e de ativos que o que o ex-servidor detém em um empreendimento de lazer localizado no município de Gramado. O valor total do patrimônio sequestrado é estimado em R$ 3 milhões.

Sete pessoas são investigadas. Elas serão indiciadas por corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, sonegação fiscal e falsidade ideológica. O inquérito deve ser concluído em até 30 dias.

Em 2012, quando deixou o governo de Tarso Genro, o então secretário de Infraestrutura e Logística, Beto Albuquerque, disse que tinha "confiança zero" em José Francisco Fogaça Thormann, então diretor-geral do Daer

Uma semana depois, Zero Hora publicou reportagem mostrando que Thormann viajou à Suíça em 2012 com todas as despesas pagas por uma subcontratada que prestou serviço em obra rodoviária do Estado. A viagem à Suíça surgiu a partir de uma troca de e-mails, datada de 16 de maio, entre o diretor do Daer e a gerente da empresa Geobrugg AG no Brasil, sediada no Rio.

Em novembro, Thormann deixou o cargo. Ele é arquiteto e não poderia exercer a função de diretor-geral da autarquia. A Rádio Gaúcha ligou para telefones de Thormann nesta quarta-feira, mas até as 11h não obteve retorno. 

 
 
 
 
Zero Hora No jornal Zero Hora você encontra as últimas notícias sobre esportes, economia, política, moda, cultura, colunistas e mais.