Operação Lava-Jato

VÍDEO: o que delator disse sobre reunião com Temer e Cunha em que teria acertado propina

Ex-executivo da Odebrecht, Márcio Faria explicou que US$ 40 milhões foram divididos entre PMDB e PT

Por: Zero Hora
18/04/2017 - 16h45min | Atualizada em 18/04/2017 - 16h52min

Ex-executivo da Odebrecht, Márcio Faria falou em delação premiada sobre a reunião que teve com Michel Temer e Eduardo Cunha em 2010, em que confirma o pagamento de propina de 5% sobre o valor de um contrato de US$ 825 milhões da Diretoria Internacional da Petrobras — o que gira em torno de US$ 40 milhões. Segundo Faria, o encontro ocorreu em São Paulo, no escritório político do então candidato a vice-presidente Michel Temer, e contou com a participação do deputado Henrique Eduardo Alves, do lobista João Augusto Henriques e de outro executivo da Odebrecht, Rogério Araújo.

No depoimento, Faria conta que João Augusto, um intermediário entre o PMDB e a empreiteira, procurou Rogério e disse que, para o contrato ser firmado, seria necessário o pagamento de uma contribuição ao partido:

— O senhor João Augusto procurou Rogério e falou: "Olha, esse projeto é da diretoria internacional e para que ele caminhe, seja assinado e vá dentro dos trâmites normais, o partido precisa de uma contribuição expressiva nesse contrato". Aí falou o número: 5%, um valor muito alto. O Rogério me trouxe, falou: "Ó Márcio, o projeto só vai voar com isso". E quem trouxe? "João Augusto Henriques". E quem ele é? "Intermediário, interlocutor entre a diretoria e o partido". Falei, "vamos em frente, paciência, vamos pagar".

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Aos 14 minutos e 15 segundos do vídeo, o ex-executivo detalha que, dias depois, em julho de 2010, recebeu um e-mail de Rogério em que era convocando para uma reunião em um escritório político. Segundo Faria, apenas chegando ao local ficou sabendo que se tratava do escritório de Michel Temer. Faria conta que, depois de conversarem sobre amenidades, Cunha introduz o assunto do contrato. O trecho pode ser acompanhado a partir dos 18 minutos e sete segundos do vídeo:

— Passadas as amenidades, o Eduardo Cunha tomou a palavra, explicou, falou: "Olha, o pessoal tá no processo de contratação do contrato Parque SMS com a Petrobras, diretoria internacional, e tem o compromisso que, se realmente forem adjudicadas e assinar o contrato, vai ter uma contribuição muito importante pro partido", olhando pra mim, porque eu que teria que confirmar esse entendimento. Eu fui lá, assim, pra abençoar esse compromisso. Falei: "Exatamente, estou de acordo, nós vamos contribuir com o que o deputado falou". Não se falou em valores, mas entre eles estava João Augusto, que eu simplesmente confirmei que honraria os compromissos.

— Ficou evidente que essa contribuição era propina, era vantagem indevida? — questiona o procurador.

— Totalmente vantagem indevida, doutor, porque era um percentual em cima de um contrato — responde Márcio, aos 19 minutos e 48 segundos.

Sobre o pagamento da propina de fato, Faria explicou que João Augusto procurou Rogério para estabelecer os critérios do recebimento e que um agente, chamado Ângelo, seria encarregado de retirar o dinheiro. Faria disse que, no final dos acertos, o PMDB concordou que 1% dos 5% previamente solicitados ficaria com o PT. Eduardo Cunha teria recebido 50% do valor destinado aos peemedebistas. Já da parte do PT, 1 milhão — Faria não tinha certeza se de dólares ou reais — foi destinado ao então senador Delcídio Amaral e R$ 1 milhão a Humberto Costa.

No último sábado, o presidente Michel Temer afirmou ter participado de uma reunião com Faria, mas negou que houvesse discutido valores. Ele alegou que, naquela época, as doações de empresas a partidos políticos eram permitidas pela lei. Temer disse também que foi Eduardo Cunha quem agendou a reunião e que o executivo da Odebrecht queria apenas conhecê-lo. 

— Não sabia de valores. Não se falou de contratos, evidentemente, e de nenhum tema escuso. Não tratamos de valores, nada disso – disse o presidente: – É uma coisa desagradável para quem está na vida pública há tanto tempo, graças a Deus sem manchas. É muito desagradável ouvir aquele depoimento. É constrangedor.

Nesta terça-feira, porém, o ex-deputado Eduardo Cunha rebateu Temer. Cunha sustenta que o encontro com os representantes da Odebrecht ocorreu "no escritório político" de Temer e foi "agendado diretamente" com o presidente.

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