Terremoto no poder

Aécio Neves nega que tenha tentado frear Operação Lava-Jato

Em nota, Aécio respondeu às acusações de Janot que constam na decisão do ministro Luiz Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinando a abertura de inquérito contra ele e Michel Temer

Por: Agência Brasil
19/05/2017 - 19h15min | Atualizada em 19/05/2017 - 19h15min
Aécio Neves nega que tenha tentado frear Operação Lava-Jato Bruno Alencastro/Agencia RBS
Foto: Bruno Alencastro / Agencia RBS  

O senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG) negou que tenha tentado impedir os avanços da Operação Lava-Jato, como afirmou o Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot. Por meio de nota à imprensa, Aécio respondeu às acusações de Janot que constam na decisão do ministro Luiz Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinando a abertura de inquérito contra ele e o presidente Michel Temer.

O parlamentar disse que os comentários feitos por ele sobre os delegados da Lava-Jato foram feitos em uma "conversa privada" na qual o objetivo era opinar sobre a "demora da conclusão de alguns inquéritos". Para Janot, a tentativa de impedir as investigações teriam se dado por meio da escolha de delegados que conduziam os inquéritos.

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De acordo com o comunicado, Aécio Neves já se pronunciou publicamente em apoio à Lava-Jato e à Polícia Federal em "diversas oportunidades". Sobre os diálogos que manteve com ministros do STF, ele disse que faz parte da "atividade parlamentar" o ato de manifestar posições sobre propostas legislativas, como foi o caso do projeto sobre abuso de autoridade. Conforme o comunicado, o senador afastado "participou intensamente" da retirada, no texto, do "chamado crime de hermenêutica" com base nas sugestões feitas por Rodrigo Janot e pelo juiz federal Sérgio Moro.

"O senador Aécio Neves jamais agiu ou conversou com quem quer que seja no sentido de criar qualquer tipo de empecilho à Operação Lava Jato ou à Polícia Federal, que sempre teve seu trabalho e autonomia apoiados pelo senador em suas agendas legislativas, e também como dirigente partidário", afirmou a assessoria do senador afastado. Na última quinta-feira (18), o ministro Fachin afastou Aécio Neves do mandado, mas negou o pedido de prisão preventiva contra ele feito pela Procuradoria-Geral da República.

Em depoimento de delação premiada homologado pelo STF, o dono do grupo JBS, Joesley Batista, disse que pagou R$ 2 milhões em propina a Aécio Neves este ano para que ele atuasse em favor da aprovação da lei de abuso de autoridade e anistia ao caixa 2 em campanhas eleitorais. O dinheiro teria sido entregue a um primo de Aécio, Frederico Pacheco de Medeiros, que foi preso na última quinta (18). A entrega foi registrada em vídeo pela PF, que rastreou o caminho do dinheiro e descobriu que o montante foi depositado em uma conta da empresa do senador Zezé Perrella (PMDB-MG).

Na última quinta, a defesa de Aécio confirmou que o senador afastado pediu R$ 2 milhões a Joesley. Entretanto, segundo o advogado José Eduardo Alckmin, foi um pedido de empréstimo para custear a defesa de Aécio, que já era investigado pela Operação Lava -Jato. De acordo com José Eduardo Alckmin, foi uma transação particular, que não teve relação com o cargo de senador.

* Agência Brasil

 
 
 
 
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