Política

Funcionário de João Santana diz que foi roubado após receber R$ 1 mi da Odebrecht

André Santana prestou depoimento ao relator da ação contra a chapa Dilma-Temer no Tribunal Superior Eleitoral

Por: Estadão Conteúdo
13/05/2017 - 15h07min | Atualizada em 13/05/2017 - 15h07min
Funcionário de João Santana diz que foi roubado após receber R$ 1 mi da Odebrecht Guilherme Artigas/Fotoarena
O marqueteiro João Santana e sua mulher, Mônica Moura  Foto: Guilherme Artigas / Fotoarena  

O assistente administrativo André Santana disse ao ministro Herman Benjamin, relator da ação contra a chapa Dilma-Temer no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que foi roubado após receber um pagamento de R$ 1 milhão a R$ 1,5 milhão na sede da Odebrecht, em São Paulo. André contou em seu depoimento ter recolhido dinheiro vivo de caixa 2 em nome da empresária Mônica Moura e do marqueteiro João Santana.

— Eles me levaram, colocaram dentro de um veículo que eles estavam... acredito que eles estavam me seguindo, me levaram por alguns metros, passavam por cima de meio fio e depois pararam e me largaram, não me recordo onde foi — detalhou o funcionário.

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Responsável pela movimentação bancária, recebimentos e pagamentos da Pólis Propaganda, André explicou que Mônica Moura, em 2014, pediu para que ele fosse até a Odebrecht para receber os valores. De acordo com André, lá ele teria sido encaminhado para um hotel onde receberia os valores.

— Não me recordo perfeitamente, mas eu acredito que umas cinco ou seis vezes eu tive esses recebimentos em 2014 — contou.

Sobre as visitas ao hotel em busca dos valores de caixa dois repassados pela Odebrecht, o funcionário explicou que em algumas visitas recebia R$ 50 mil, em outras R$ 250 mil e chegou a receber R$ 500 mil — o maior valor teria sido o roubado.

— A pessoa chegava com um saco plástico, uma vez até lacrado, abria para eu poder ter conhecimento daquilo e deixava lá — contou sobre o procedimento para receber. 

André explicou que, em São Paulo, sua interlocutora na empreiteira era uma secretária do executivo Fernando Migliaccio de nome Aline. O funcionário de João Santana afirmou também ter recebido valores na sede da empresa em Salvador.

Lá, segundo ele, a responsável por o receber e providenciar os pagamentos era a secretaria do Setor de Operações Estruturadas, o departamento da propina da Odebrecht, Maria Lúcia Tavares. 

— Eu me apresentei na portaria da Odebrecht, me identifiquei, avisei que ia falar com ela, ela me levou à sala dela no primeiro andar, passei pela sala dela e depois fui a uma segunda sala com essa remessa de R$ 250 mil — afirmou.

 
 
 
 
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