Terremoto no Poder

Pedido de impeachment: por que a situação de Temer é diferente da de Dilma

Relação com o presidente da Câmara é o maior divisor entre os cenários

25/05/2017 - 13h42min | Atualizada em 25/05/2017 - 17h00min
Pedido de impeachment: por que a situação de Temer é diferente da de Dilma Montagem com fotos de arquivo/
Foto: Montagem com fotos de arquivo  

Embora continue forte a pressão para que Michel Temer renuncie, a situação do presidente em relação ao pedido de impeachment que a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) irá protocolar na Câmara nesta quinta-feira (25) é completamente diferente da de Dilma Rousseff em 2015. Neste momento, são poucas as chances de o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), dar prosseguimento à solicitação da OAB – o que não impede de a situação se alterar nas próximas horas diante de eventuais novas denúncias.

O fato é que, por ora, a espada não está sobre a cabeça de Temer. E o que marca a principal diferença entre 2015 e 2017 é a figura do presidente da Câmara.

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A seguir, as diferenças e as circunstâncias que marcaram os pedidos de afastamento de Dilma e de Temer:

2015

Eduardo Cunha era um parlamentar influente, com domínio total das regras internas da Câmara (o que permitia a ele jogar com prazos, barganhas e ameaças) e um perfil vingativo como poucos.

— Em 21 de outubro de 2015, quando os advogados Janaína Paschoal, Hélio Bicudo e Miguel Reale Jr. protocolaram o pedido de impeachment, o governo Dilma já dava sinais evidentes de perda de força no Congresso. O então presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMSB-RJ), àquela altura, já era um inimigo declarado da presidente e do PT. Tudo porque, no início daquele ano, os deputados petistas haviam decidido não apoiá-lo na disputa pela presidência da Câmara. Cunha não só venceu com folga a eleição como declarou guerra ao PT.

— E a vingança veio em 2 de dezembro de 2015: 41 dias após ser protocolado, Cunha dá prosseguimento na Câmara ao pedido de impeachment. Era o início do fim do governo Dilma.

2017

Rodrigo Maia é um aliado de primeira hora de Temer. Um dos principais conselheiros do presidente é o ministro Moreira Franco, que vem a ser sogro de Maia.

— Apesar de ser mais suscetível às pressões e ao ambiente político do que Cunha, por enquanto não teria motivos pessoais contundentes para dar aval à tramitação de um impeachment. Temer não é seu inimigo.

— O impeachment, por ser um processo longo e desgastante, capaz de paralisar o país por seis meses, não é considerado a melhor saída para a crise. Há outros meios mais rápidos se a situação de Temer ficar insustentável: a renúncia ou a cassação da chapa Dilma-Temer pelo Tribunal Superior Eleitoral, cuja sessão de votação está marcada para dia 6 de junho.


 
 
 
 
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