Política

Maia diz que acha difícil votar em conjunto todas as denúncias contra Temer

Para presidente da Câmara, é preciso ter paciência, já que é a primeira vez que um presidente da República é formalmente denunciado por corrupção

Por: Estadão Conteúdo
29/06/2017 - 16h28min | Atualizada em 29/06/2017 - 17h15min

Após dois dias em silêncio, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou nesta quinta-feira (29) que, apesar de ser aliado do presidente Michel Temer, vai adotar uma postura "republicana" em relação à denúncia protocolada contra o peemedebista. O processo foi enviado à Casa nesta quinta-feira pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Leia mais:
Temer é notificado pela Câmara sobre denúncia por corrupção passiva 
Adolescente que invadiu Palácio da Alvorada pegou carro dos pais escondido
Temer, Gilmar Mendes, Padilha e Moreira Franco têm encontro à noite fora da agenda oficial do Planalto 

Em sua primeira entrevista sobre o tema, enquanto a leitura da denúncia era feita no plenário, Maia disse acreditar ser difícil votar em conjunto todas as denúncias que serão movidas contra o presidente, como queria a base aliada. Segundo ele, se o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, decidiu "fatiar" as acusações, não caberia à Câmara apensá-las.

— Eu não estou tratando sobre apensamento. Eu estou tratando sobre a denúncia que tem. Eu acredito que Janot vai encaminhar outra peça. Se fosse a mesma peça, não viria separado. Como Janot é um homem preparado, ele não vai copiar e colar, ele vai apresentar outros argumentos — disse.

A denúncia que chegou à Câmara nesta quinta acusa Temer e seu ex-assessor Rodrigo Rocha Loures de ter recebido uma mala com R$ 500 mil de propina do grupo J&F. Há a expectativa de que pelo menos uma segunda denúncia, sobre obstrução de Justiça, seja formulada por Janot.

Para Maia, caberia ao ministro Edson Fachin, relator da Operação Lava-Jato no STF, decidir pelo apensamento, caso considere que as duas denúncias devam tramitar em conjunto.

Ele, no entanto, afirmou que ainda vai debater esse tema com os demais deputados. 

— Eu estou discutindo tudo, com todos os líderes, inclusive da oposição, apesar de o meu partido ser da base. Isso aqui vai ser um debate republicano, a instituição precisa ser preservada, aqui não é para defender nem a posição do presidente, nem a posição da oposição, nem da PGR — afirmou.

Segundo Maia, é preciso "ter paciência", porque esta é a primeira vez que um presidente da República é formalmente denunciado por corrupção. 

— Isso nunca aconteceu, a gente vai construindo em conjunto, de forma democrática. Não há aqui nenhuma vontade, por ser de um partido da base e ser aliado do presidente, de descumprir nenhum milímetro o regimento da Casa e a Constituição — disse.

Recesso

Maia afirmou que ainda não sabe se será necessário suspender o recesso parlamentar, marcado para começar em 17 de julho. Segundo ele, essa decisão vai depender de como a tramitação vai se dar na Câmara.

Pelo regimento, a partir do momento em que Temer for notificado, o que vai acontecer ainda nesta quinta, passa a contar o prazo de até dez sessões plenárias para que o presidente apresente a sua defesa. Depois disso, o relator da matéria na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) tem mais cinco para apresentar o seu parecer.

Maia disse ainda que vai trabalhar para que a Câmara não pare durante a tramitação da denúncia. Segundo ele, é necessário superar esse tema o mais rápido possível para retomar as votações da reforma da Previdência. 

— O Brasil precisa que esse assunto esteja superado, independentemente do seu resultado, para que a gente volte a ter agenda de reformas. A Câmara precisa continuar a sua agenda — afirmou.


 
 
 
 
Zero Hora No jornal Zero Hora você encontra as últimas notícias sobre esportes, economia, política, moda, cultura, colunistas e mais.