Política

Lula diz que propina foi palavra "inventada" por empresários e MP para culpar políticos

Segundo petista, todos os políticos, "desde que foi proclamada a República", sempre usaram doações empresariais nas campanhas

Por: Estadão Conteúdo
24/07/2017 - 13h32min | Atualizada em 24/07/2017 - 17h58min

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse, nesta segunda-feira (24), que a palavra propina foi "inventada" por empresários e pelo Ministério Público (MP) para "tentarem culpar os políticos". Segundo o petista, todos os políticos, "desde que foi proclamada a República", sempre usaram doações empresariais nas campanhas.

— A palavra propina foi inventada pelos empresários para tentarem culpar os políticos. Ou pelo Ministério Público. Por tudo o que leio na imprensa, todas as campanhas do Brasil sempre foram feitas (com financiamento de empresas) — disse o ex-presidente em entrevista à rádio Tiradentes do Amazonas, transmitida ao vivo pela página oficial de Lula no Facebook. — A diferença é que agora transformaram as doações em propina, então tudo ficou criminoso. 

O petista defendeu, ainda, a criação de um fundo público eleitoral, em discussão na Câmara. 

— Se os políticos não tiverem coragem de mudar a legislação eleitoral, de criar um fundo de financiamento de campanha para que não fiquem mais dependentes de empresário, o Brasil não vai ter jeito — disse.

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Sem falar diretamente em caixa 2, Lula disse que, se o candidato prestou contas à Justiça Eleitoral sobre doações empresariais e elas foram aprovadas, ele não teria culpa.

— Quando o empresário deu o dinheiro, certamente ele não disse "vou te dar o dinheiro, mas é propina". Se ele avisasse e o candidato aceitasse, deveria ser preso o empresário e o candidato — disse o ex-presidente. — Se ele (empresário) deu dinheiro, o candidato colocou na prestação de conta e a Justiça Eleitoral aprovou, que culpa tem esse candidato? — disse Lula. 

O ex-presidente voltou a negar que soubesse de casos de corrupção dentro do partido. 

— Tem muitas coisas que acontecem dentro da sua casa, na sala do lado do seu trabalho, e você não sabe. Você não é obrigado a saber — disse.

Condenado a nove anos e meio de prisão pelo juiz Sergio Moro — e com seus bens bloqueados a pedido do magistrado —, Lula afirmou que irá recorrer das decisões em segunda instância. 

— Vamos ver se desmontamos isso — disse o petista, que voltou a chamar o processo de mentiroso e a culpar a participação da imprensa.

— Seria muito mais barato para o Brasil se eles tivessem acreditado quando eu disse que o apartamento não era meu — afirmou. 

Na entrevista, Lula voltou a atacar o processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), mas criticou o segundo mandato da petista que, segundo ele, veio após uma "campanha muito nervosa e muito radicalizada".

— Depois das eleições, a gente percebeu que Dilma fez algumas coisas que não estavam no discurso que agradou tanto a esquerda para lhe apoiar em 2014. Começamos a ter um problema de queda das pesquisas da opinião pública, queda da economia e queda do emprego, até que veio o impeachment da companheira Dilma, que foi uma coisa ilegal — disse.

Para o petista, "foi triste ver tantos amigos da Dilma" votarem pelo impeachment, o que chamou de um "erro histórico" com o país. Disse ainda que, nas próximas eleições, pediu para que o partido atuasse de forma separada de outras siglas, para demarcar o discurso.

— Nessas eleições agora, pedi para que o PT saísse separado, para demarcar nosso discurso. Porque senão dá a impressão de que está todo mundo na mesma bacia e não é verdade. É preciso que a gente mostre a diferença política nesse momento. Acho que o Zé Ricardo (candidato do PT para o governo do Amazonas, José Ricardo Wendling) vai fazer isso com muita competência — concluiu Lula. 

 
 
 
 
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