Raquel Dodge

Nova procuradora-geral da República, Raquel Dodge é sabatinada hoje no Senado 

Substituta de Rodrigo Janot será questionada por ao menos oito parlamentares investigados na Lava-Jato

Por: Estadão Conteúdo
12/07/2017 - 06h56min | Atualizada em 12/07/2017 - 07h00min
Nova procuradora-geral da República, Raquel Dodge é sabatinada hoje no Senado  Antonio Cruz/Agência Brasil
De uma lista tríplice, Raquel Dodge foi a segunda mais votada pelos procuradores Foto: Antonio Cruz / Agência Brasil  

Raquel Dodge, escolhida pelo presidente Michel Temer como nova procuradora-geral da República no lugar de Rodrigo Janot, será sabatinada nesta quarta-feira (12) na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado a partir das 10h. Ao menos oito dos 27 titulares do colegiado que vão questioná-la ao longo do dia são investigados na Operação Lava-Jato.

Entre os suplentes da CCJ, 13 dos 25 senadores respondem a inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF).

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Raquel terá 30 minutos para fazer uma apresentação. Em seu discurso, ela deve enfatizar sua diferença de estilo em relação ao atual procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

Em seguida, cada senador terá dez minutos para fazer perguntas e ela terá o mesmo tempo para responder. Há ainda a possibilidade de réplica e tréplica. A expectativa é de que a sessão dure o dia todo.

Questionado se espera algum tipo de constrangimento pelo fato de os parlamentares realizarem a sabatina em quem vai investigá-los, Antonio Anastasia (PSDB-MG), vice-presidente da CCJ e alvo de inquérito na Lava-Jato, negou. 

— Será uma sabatina estritamente institucional — disse.

A atual subprocuradora passou os últimos dias percorrendo gabinetes de senadores para se apresentar e mostrar que está preparada para comandar o Ministério Público Federal.

Nas conversas, segundo relatos dos parlamentares, ela defendeu a Lava Jato e disse que vai fortalecer as investigações, mas evitar "exposições desnecessárias". A exposição de investigados, como o vazamento de delações premiadas, é uma das principais críticas da classe política a Janot.

Outro ponto no discurso de Raquel que agradou à Casa é que, nos encontros, ela fez questão de repetir que "só falará nos autos", o que, para um dos parlamentares que estiveram com ela, indicou um contraponto ao "estilo midiático de Janot".

Raquel fez, nesta terça-feira (11), um último corpo a corpo com senadores e se encontrou pela manhã com a bancada do PSD e com o presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE). 

Segundo disse ao jornal O Estado de S. Paulo na semana passada, as visitas seriam uma demonstração de "respeito à instituição". A intenção de Raquel era encontrar os 81 senadores antes da sabatina, o que não foi possível. A assessoria do senador Aécio Neves (PSDB-MG), por exemplo, informou que o encontro previsto não ocorreu.

'Preparada'
Presidente da Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), José Robalinho Cavalcanti disse que Raquel está preparada para responder "a qualquer tipo de pergunta". 

— É uma pessoa preparadíssima. Ela tem história, estudou. Sua característica é de estar sempre tranquila e serena, mesmo diante de qualquer tipo de pressão. — disse Robalinho, que pretende acompanhar a sabatina in loco.

Raquel foi a segunda colocada na lista tríplice da ANPR, eleita pelos procuradores em 27 de junho. Ela teve 587 votos. O primeiro colocado, Nicolao Dino, recebeu 621 votos. Em terceiro lugar, Mário Bonsaglia obteve 564. 

Para o presidente da associação, porém, isso não deslegitima a escolha do presidente Michel Temer.

— Qualquer um dos três da lista estaria apto — afirmou o presidente da ANPR.

Caso seja aprovada na CCJ, a intenção do presidente do Senado é levar a indicação ainda hoje para o plenário. 

A condição, porém, é de que haja quórum mínimo de 41 senadores para que a votação ocorra. Tanto na CCJ quanto no plenário a indicação precisa de maioria simples dos presentes para ser aprovada.

 
 
 
 
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