Entrevista

Sem delações, Lava-Jato "não teria chegado aonde chegou", diz delegado da PF

Carlos Eduardo Miguel Sobral, presidente da Associação Nacional dos Delegados da PF, comenta legislação criada a partir dos atos de 2013

07/07/2017 - 21h54min | Atualizada em 07/07/2017 - 21h54min
Sem delações, Lava-Jato "não teria chegado aonde chegou", diz delegado da PF ADPF/Divulgação
Foto: ADPF / Divulgação  

Quando milhares de pessoas foram às ruas, em 2013, as delações premiadas eram desconhecidas da maioria dos brasileiros. Quatro anos depois, graças a leis aprovadas no calor dos protestos, esse e outros instrumentos jurídicos ganharam visibilidade e acabaram dando lastro à maior ofensiva da história do país contra malfeitos.

Para o presidente da Associação Nacional dos Delegados da Polícia Federal, Carlos Eduardo Miguel Sobral, a efervescência que tomou o Brasil naquele ano teve papel fundamental.

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Confira os principais trechos da entrevista:

Qual é a importância das leis criadas em 2013?

As duas leis são fundamentais para o combate à corrupção e ao crime organizado, e as manifestações populares deram impulso a isso. Eram projetos técnicos, que estavam havia algum tempo tramitando. O Congresso se viu forçado a dar respostas.

Qual foi o impacto no trabalho da Polícia Federal?

Conseguimos qualificar as provas, porque passamos a ter mais informações. Quanto às colaborações premiadas, até então não havia segurança jurídica. O delator não tinha garantia de que o acordo seria cumprido. Havia um cenário de dúvida e, na dúvida, não se arriscava. Hoje, é diferente. Em paralelo, houve uma decisão institucional da PF de combater a corrupção. Passou a ser a nossa grande missão.

A Operação Lava-Jato, que hoje soma 41 fases, teria chegado aonde chegou sem a legislação aprovada em 2013?

Sem as novas leis, a Operação Lava-Jato não teria chegado aonde chegou nem qualquer outra operação contra corrupção. Não se conseguiria chegar ao centro da organização criminosa sem a participação de pessoas de dentro.

 
 
 
 
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