Lava-Jato

Palocci relata repasses de maços de dinheiro a Lula

Na proposta de delação, ex-ministro também relatou a existência de uma "contabilidade paralela" no Instituto Lula, que seria administrada pelo presidente da instituição, Paulo Okamotto

Por: Estadão Conteúdo
16/09/2017 - 09h03min | Atualizada em 16/09/2017 - 10h05min

O ex-ministro Antonio Palocci afirmou, na proposta de colaboração premiada que negocia com a força-tarefa da Lava-Jato, em Curitiba, que, em 2010, em ao menos cinco ocasiões, entregou pessoalmente dinheiro em espécie ao então presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo Palocci, foram maços que variavam de R$ 30 mil a R$ 50 mil, repassados em locais previamente combinados.

A informação foi antecipada pela revista Veja e confirmada pelo jornal O Estado de S. Paulo. Palocci foi ministro da Fazenda entre 2003 e 2006, no governo Lula, e da Casa Civil em 2011, no governo Dilma Rousseff. Em 2010, ele era um dos coordenadores de campanha de Dilma à Presidência.

Segundo Palocci, também foram feitos repasses de quantias maiores. Nessas ocasiões, o ex-ministro afirmou que acionava seu então assessor, Branislav Kontic, para entregar a "encomenda" no Instituto Lula, em São Paulo. O ex-ministro disse ainda que o dinheiro tinha origem na conta "Amigo", criada pela Odebrecht.

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Na proposta de delação, o ex-ministro também relatou a existência de uma "contabilidade paralela" no Instituto Lula, que seria administrada pelo presidente da instituição, Paulo Okamotto. Segundo Palocci, Okamotto pedia que parte das doações feitas ao instituto fosse em dinheiro. Ele disse que os recursos eram usados para bancar despesas pessoais de Lula.

Toda a contabilidade das doações feitas em espécie, afirmou Palocci, estaria em um HD sob responsabilidade de Clara Ant, ex-diretora do instituto.

O ex-ministro também citou uma reunião, realizada em 2010 no Palácio da Alvorada, na qual participou, além dele, Lula, Dilma e o então presidente da Petrobrás José Sergio Gabrielli. A pauta do encontro teria sido a criação da Sete Brasil, empresa que deveria fabricar sondas de perfuração para a exploração de petróleo no pré-sal.

Conforme relato de Palocci, na reunião, Lula deixou claro que parte dos recursos precisaria ser usada para custear o PT e financiar a campanha de Dilma para o projeto do partido de se manter no poder. Palocci disse que ficou preocupado com os planos do ex-presidente.

Acordo

A proposta de delação premiada negociada pela defesa de Palocci tem cerca de 50 anexos temáticos. Além de incriminar Lula e outros petistas em casos de corrupção na Petrobras e em outros negócios do governo entre 2003 e 2016, o ex-ministro cita empresas já investigadas e outras ainda não envolvidas na Lava-Jato. Além disso, avança sobre o setor financeiro e fornece informações sobre escândalos anteriores à Lava-Jato, como o mensalão.

As tratativas de delação começaram há três meses, mas encontraram resistência entre membros da força-tarefa, que admitem esperar mais provas para que o acordo tenha validade.

Preso desde outubro de 2016, em Curitiba, Palocci foi condenado, em junho, a 12 anos e dois meses de prisão e é alvo de outras investigações. Na semana passada, o ex-ministro prestou depoimento ao juiz Sergio Moro, e afirmou que Emílio Odebrecht fez um "pacto de sangue" com Lula que envolvia pacote de propinas de R$ 300 milhões. Na quarta-feira (13), também em depoimento a Moro, Lula rebateu Palocci, chamando-o de "simulador". O ex-presidente negou todas as acusações e disse que o ex-ministro mentiu para conseguir benefícios.

 
 
 
 
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