Biblioteca básica

Cinco livros para entender Richard Dawkins

O biólogo britânico faz a conferência de abertura do Fronteiras do Pensamento 2015 nesta segunda-feira

Por: Cristina Bonorino*
23/05/2015 - 15h07min
Cinco livros para entender Richard Dawkins Liberal Democrats/Liberal Democrats
Richard Dawkins em uma conferência em Bournemouth em 2009 Foto: Liberal Democrats / Liberal Democrats  

*Professora titular de Imunologia da PUCRS e pesquisadora 1C do CNPQ.

O biólogo britânico Richard Dawkins faz a conferência de abertura do seminário Fronteiras do Pensamento 2015, nesta segunda, no Auditório Araújo Vianna. Um dos pesquisadores mais respeitados no ramo das ciências biológicas e um dos intelectuais mais polêmicos quando o assunto é religião, Dawkins tornou-se uma figura internacionalmente conhecida pela sua cruzada em defesa do ateísmo e da supremacia do pensamento científico sobre as concepções místicas de mundo. É autor também de um trabalho que renovou o entendimento da obra de Charles Darwin. Nesta página, o PrOA seleciona cinco leituras que dão um panorama do pensamento de Dawkins — seja na área da biologia, seja na defesa de um mundo livre de religiões.

O Gene Egoísta
Richard Dawkins, 1976

Com linguagem pop, usando referências mais recentes, e incorporando o conhecimento da era molecular e do DNA, Dawkins constrói o conceito do gene como a unidade sobre a qual atua a seleção natural. No oceano primordial onde surgiu a vida, as primeiras moléculas que se replicaram tiveram vantagem sobre as demais. Erros ocorridos na replicação geraram cópias levemente diferentes, e dentre estas, tiveram vantagem as que conseguiram produzir características protetoras, como um envoltório proteico. Assim surgiram as "máquinas de sobrevivência" dos genes, os seres vivos, selecionadas pelas pressões do ambiente que variam continuamente. Introduz o conceito de "meme" - a unidade de seleção cultural. As línguas dos homens e outros comportamentos de animais são aprendidos, e esse processo também sofre erros, fazendo com que a cultura evolua anda mais rapidamente do que os seres vivos.

A Origem das Espécies
Charles Darwin, 1859



É o clássico. Escrito há mais de 150 anos, ainda é uma bela leitura. Darwin (1809 — 1882) relata suas observações como naturalista, e compara seus achados com os de outros colegas, como Alfred Wallace, cujas ideias admirava. Aqui, Darwin constrói cuidadosamente a noção de que não apenas o ambiente influenciava as diferenças entre as espécies — vigente na época — mas que isso tinha de estar conectado de forma definitiva à hereditariedade das características morfológicas. Aqueles que, dada sua herança genética, mais se adaptam ao ambiente ao lutar para sobreviver face a recursos limitados, teriam maior chance de deixar descendentes. Inspirado, Darwin liga a isso o registro fóssil e a distribuição geográfica, concluindo que as espécies divergem a partir de um ancestral comum. A natureza selecionaria os mais adaptados, provavelmente constituindo um processo extremamente lento, mas inexorável — que chama de seleção natural.

O Relojoeiro Cego
Richard Dawkins, 1986

Aqui Dawkins responde diretamente a um conceito chamado de desenho inteligente, cunhado por criacionistas. O criacionismo coloca que a natureza está cheia de coisas tão belas e complexas que seria impossível que surgissem esculpidas por forças aleatórias como explicado pela seleção natural.Criacionistas propõem a existência de um ser superior, um engenheiro — um relojoeiro no livro de 1802 do teólogo William Paley — que constrói cuidadosamente algo que, muitas vezes não fazendo sentido para um leigo, está de acordo com um plano para executar uma certa função. Dawkins traz diferentes exemplos, como o radar dos morcegos ou as diferentes formas de olhos ,para clarificar que, definitivamente, a seleção natural não possui finalidade, não prevê o futuro, e não possui um propósito final. A seleção natural, diz Dawkins, é um relojoeiro cego.

Deus, um Delírio
Richard Dawkins 2006

O livro que tornou Dawkins um dos mais célebres porta-vozes da nova onda de ateísmo intelectual militante que gerou também obras como A Morte da Fé (2005), do americano Sam Harris, O Espírito do Ateísmo (2006), do francês André Comte-Sponville, e Deus não é Grande (2007), do inglês Christopher Hitchens (1949 — 2011). Dawkins realiza um exame crítico do pensamento religioso, agudo e incisivo, e defende que a religião é uma ideia humana como qualquer outra, que não deveria ter garantida por uma reverência ou respeito especial, e que deveria ser combatida quando tenta pautar questões práticas da vida civil. Partindo para explicações matemáticas e físicas, ele questiona a validade da crença em um ser superior inteligente e criador.

Por que não sou cristão
Bertrand Russell, 1957

Escrito pelo filósofo e matemático galês Bertrand Russell (1872 — 1970), este livro reúne nove ensaios, produzidos entre 1869 e 1954, que questionam a validade de muitas explicações e propósitos do pensamento religioso. Mais um agnóstico do que um ateu, Russell ataca aqui o papel nocivo da religião organizada na vida civil. Para ele, as religiões são baseadas principalmente no medo, tanto do desconhecido quanto do desamparo da condição humana sobre a Terra. Além disso, Russell questiona os principais dogmas do pensamento religioso, como a existência de Deus, a permanência da alma, o argumento, para ele falacioso, de que para tudo existe uma causa primeira (central no pensamento que postula a existência de um criador). Pode ser considerado um antepassado direto do livro mais polêmico de Dawkins: Deus, um Delírio, e um precursor de toda a onda contemporânea do neo-ateísmo.

Fronteiras do Pensamento

– Richard Dawkins faz a conferência de abertura do Fronteiras do Pensamento nesta segunda, dia 25, às 19h45min, no Auditório Araújo Vianna (Osvaldo Aranha, 685).

– O pacote para todas as conferências, que inclui anda Jimmy Wales (22 de junho), John Gray (8 de julho), Valter Hugo Mãe (3 de agosto), Saskia Sassen e Richard Sennet (24 de agosto), Suzana Herculano-Houzel (28 de setembro), Fernando Savater (26 de outubro) e Janette Sadik-Khan (23 de novembro), está esgotado.

– Os quatro encontros do Fronteiras Educação serão realizados de agosto a novembro, com o patrocínio exclusivo da Petrobras e parceria com Secretaria Municipal da Educação e UFRGS. Informações pelo fone 4020-2050.

O Fronteiras do Pensamento é apresentado por Braskem e tem patrocínio Unimed Porto Alegre e Hospital Mãe de Deus, com parceria acadêmica da UFRGS. As empresas parceiras são Liberty Seguros, BNDES e CMPC. Parceria institucional PUCRS e Fecomércio-RS e parceria cultural UFCSPA. Patrocínio módulo educacional Petrobras. Promoção Grupo RBS.

 
 
 
 
Zero Hora No jornal Zero Hora você encontra as últimas notícias sobre esportes, economia, política, moda, cultura, colunistas e mais.