Questão de fluxo

Crescimento da frota de veículos novos no RS é de 39 veículos por hora

Em apenas um ano, 345 mil carros, motos, ônibus e caminhonetes foram colocados nas ruas, avenidas e estradas gaúchas

Por: Maurício Tonetto
18/02/2014 - 05h01min

A cada dia, 947 novos veículos são despejados em ruas e avenidas do Rio Grande do Sul — uma média de 39 por hora.

A frota atingiu o número de 5,7 milhões — para 11,1 milhões de habitantes — e não indica que vá diminuir.

Frente a um crescimento da frota de 6,4% ao ano, bem maior do que o da população gaúcha (0,4%), especialistas defendem mudanças na lógica de urbanização das grandes cidades para amenizar danos ambientais, econômicos e estruturais.

— Todas as cidades estão piores do que estavam há 10 anos. Se nada for feito, daqui a 10 anos ficarão piores, não haverá exceção. Deve-se discutir um projeto político de cidade e definir quem será o melhor gerente a implantar o que a sociedade quer — defende o presidente da Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP), Ailton Brasiliense.




Apenas em 2013, conforme o Detran, o número de veículos no Estado aumentou em 345 mil. Incentivadas pelo aquecimento da economia, pelo aumento das ofertas de crédito, pela ascensão das classes C e D e isenção de tributos, as montadoras introduziram 1,8 milhão de veículos nas ruas e estradas gaúchas nos últimos seis anos. Só a frota de Porto Alegre soma 780,5 mil (um para cada 1,8 habitante). O investimento em transporte público, porém, retrocedeu.

— O paradoxo é que o uso do transporte coletivo caiu cerca de 25%, principalmente o sistema de ônibus. O transporte público, que poderia amenizar a situação, está ficando mais caro, e o particular, mais barato — explica o técnico de planejamento e pesquisa do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea) Carlos Henrique de Carvalho.

Doutor em transportes pela École Nationale des Ponts, em Paris, professor Hostílio Xavier Ratton Neto pondera:

— No Brasil, as cidades são mal organizadas. Os urbanistas devem repensá-las de modo a tirar o peso do sistema de transporte, seja ele público ou individual.

70% dos deslocamentos ocorrem no horário de pico

Com a elevação da frota, crescem também os acidentes fatais (1.477 pessoas morreram no Estado entre janeiro e setembro passado), os congestionamentos e a emissão de poluentes na atmosfera, que desequilibram o clima e elevam a temperatura do planeta. Estudos da pós-graduação e pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) apontam que 70% dos deslocamentos motorizados no país ocorrem nos horários de pico, o que acarreta grandes congestionamentos. A ANTP projeta que a emissão de CO2 aumentará 250% até 2030, comparado ao ano de 1990. Para o consultor ambiental Millos Augusto Stringuini, a primeira medida para amenizar os danos é o investimento na inspeção veicular:

— A frota deve ser renovada, mas a inspeção não funciona no Brasil. Isso gera muitos prejuízos, pois os automóveis, principalmente, queimam óleo e poluem mais quando estão fora da normatização.

Para o pesquisador do Ipea Carlos Henrique de Carvalho, os governos devem onerar os motoristas:

— Tem de aumentar os preços de estacionamento e gasolina e implementar o pedágio urbano.

 
 
 
 
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